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SOBRE A REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL

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Devido a minha formação como educador, não consigo cogitar a possibilidade de aceitar com naturalidade a redução da maioridade penal.

Claro que isso não significa que todos os professores devessem pensar como eu. Aliás, defendo que cada um possa ter sua opinião de acordo com suas convicções.

Acontece que os profissionais que contribuíram para minha formação tinham ideais bem claras sobre o papel da educação em uma sociedade e como ela serve para combater o crime antes mesmo que ele aconteça.

Portanto, reduzir a maioridade penal não passa de uma medida paliativa. Algo que irá punir alguns casos mostrados pela mídia, porém, não chegará nem perto de resolver o problema real que aflige o país.

Na verdade, parece que estão tentando criar uma forma punir crimes que incomodam determinada parte da população, para tranquilizar os cidadãos de bem que ficam chocados a cada nova edição do Jornal Nacional.

Afinal, nada pior do que trabalhar um dia inteiro, levando esse país nas costas e ainda ter que, no fim do dia, aturar notícias de violência urbana depois de chegar em casa, não é mesmo?

Ao que tudo indica, querem fazer uma legislação que, aparentemente, não visa reduzir a quantidade de homicídios que acontecem diariamente nas periferias e não noticiados pela televisão.  Continue lendo

AZUL É DE MENINO, ROSA DE MENINA

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Fila é uma coisa engraçada. Seja no banco, banheiro ou para pegar o ônibus é sempre um bom momento para se observar o comportamento humano. Identificando aquela pessoa mais estressada, ou aquela que trapaceia entrando disfarçadamente na frente de outra que se distraiu por alguns instantes ou, até mesmo, aquela que está cheia de carência afetiva e aproveita um simples contato visual para se aproximar contando histórias de sua vida inteira para a pessoa mais próxima.

E passando por uma dessas filas da vida, ouvi um diálogo que me fez refletir sobre o nível da nossa evolução como humanidade.

Às vezes, a praticidade que as redes sociais nos oferecem para filtrarmos o que pode ou não aparecer em nosso feed de notícias, pode gerar uma sensação ilusória de estarmos no caminho certo. Criamos nosso pequeno universo individual que nos isola de uma realidade bem mais indigesta do que desejávamos.

Quando presenciei tal conversa, foi como se tivessem me arrancado de minha bolha confortável para me aplicarem sessões de choque de realidade.

Antes de continuar com minhas reflexões, transcrevo a seguir o diálogo entre os dois amigos:

– Rapaz, acho que não te contei, mas, finalmente encontrei uma escola boa para meu filho!

– Sério? Que legal!

– Pois é. Essa escola já ensina desde cedo o que é de menino e o que é de menina.

– Nossa, graças a Deus! Hoje em dia esse povo não se importa mais com nada, então é importante reconhecer quem ainda respeita os valores da família.

– Isso mesmo.  Veja o absurdo que eu ouvi lá do Galois, na primeira reunião com os pais a professora já veio com uma conversa de que não haveria festas de dia dos pais ou das mães, mas, um único evento para celebrar o dia da família. Dizendo ela, que o objetivo era de nenhum aluno se sentir excluído dos eventos.

– Que frescura! É por isso que esse país tá essa bagunça danada. Essa pouca vergonha que vemos em cada esquina. (Nesse exato momento comecei a olhar ao redor na esperança de encontrar alguma orgia, mas, só vi uma senhora vendendo enfeites de Natal).

– Por isso estou te falando que agora sim encontrei uma escola boa de verdade. Ontem fui tomar sorvete com meu filho e ele recusou a colherzinha que a balconista lhe ofereceu porque era cor de rosa. Ele disse bem assim: “Troca para mim, tia. Essa aqui é de menina.

– Oh que benção! Tão bonitinho. Pena que nem todos são assim. Continue lendo

EU TAMBÉM VOU RECLAMAR

A moda agora é a tal da operação padrão, onde todo mundo reclama muito e produz pouco. Servidores públicos reclamam de seus salários e os trabalhadores comuns reclamam por não serem servidores públicos. Lembrando o verdadeiro baião de Dominguinhos, onde quem está fora quer entrar, mas quem está dentro não sai.

Não sou a favor dos grevistas e nem do governo. Como não tenho sindicato que defenda apenas os meus interesses, eu também vou reclamar.

Vou reclamar do tempo que fico no trânsito por conta dos tantos protestos que são feitos diariamente nas avenidas da capital federal. Ao contrário da maioria daquelas pessoas que estão gritando palavras de ordem e trajando suas roupas vermelhas, meu carro não tem ar condicionado e muito menos câmbio automático. Tenho que enfrentar o calor e fazer o bendito controle de embreagem. É ou não é uma sacanagem?

Também quero reclamar do meu vizinho. Melhor dizendo, do carro do meu vizinho e do “som irado” que ele faz questão de deixar no último volume durante os fins de semana. E o pior, analisando suas músicas percebo que ele não tem a menor vocação para DJ.

E os operadores de telemarketing? Quero me queixar sobre eles, afinal, nem de falar ao telefone eu gosto.

Ah, não posso esquecer de deixar aqui registrada a minha reclamação em relação ao Pacheco, o meu cachorro, que nunca faz suas necessidades fisiológicas no jornal. Na verdade, ele come o jornal. Leia mais

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PROFESSORES: CLASSE INTELECTUAL DO PAÍS?

Onde anda a criatividade de alguns professores? Sério, fico impressionado com a quantidade de bizarrices que já presenciei dentro da sala dos professores. O recinto que mais respeitava quando ainda era um aluno acadêmico, hoje não passa de um lugar onde se bebe café e se encontra revista da Avon.  Se procurar por um jornal impresso em sala dos professores, provavelmente não encontrará.

Consulte o Histórico de Navegação do computador (se é que a escola disponibilize um para os professores) quais são os sites mais visitados e me diga se é tão diferente do comportamento virtual apresentado por um adolescente de dezesseis anos? Faça uma pesquisa entre os educadores de uma escola sobre quantos livros leram durante todo o ano passado. Depois, realize novamente a pesquisa retirando as opções “livros didáticos” e “apostilas para concurso público” e compare os resultados. Provavelmente entenderá um pouco da minha preocupação.

Não precisa entrar em uma escola para entender o que estou falando, basta observar como alguns assuntos ainda são trabalhados em sala de aula por certos professores.  É evidente que o comportamento humano mudou radicalmente nessa última década, entretanto parece que a forma de ensinar continua a mesma do século passado.

Ou vai me dizer que antigamente o Dia do Índio também não era lembrado com uma pintura de um cocar desenhado em uma folha papel A4, acompanhada por um dever de casa pedindo para pesquisar sobre hábitos e costumes indígenas? O que muda é que hoje as atividades não tem cheiro de álcool.

E no Dia do Livro, também se “confeccionava” um Marca Página no formato de um lápis com uma carinha sorridente? Já tentou imaginar quantas bandeirinhas do Brasil são coloridas no dia 06 de setembro?

As atividades continuam as mesmas enquanto os interesses são outros. Acontece que tem muito professor que sabe tudo sobre Piaget, Vygotsky e Wallon, porém desconhece o motivo do Bruno Miguel viver puxando o cabelo da Jéssyca Letícia durante sua aula…

Em contrapartida existem aqueles que honram a profissão e sentem uma verdadeira paixão pela docência. Professores que levam a turma para plantar uma árvore no dia 21 de setembro, que usam a internet como ferramenta de ensino e que incentivam a ida de seus alunos à biblioteca durante o ano inteiro e não apenas no Dia do Livro.

O fato é que esses profissionais estão ficando desmotivados, pois além de não conseguirem o reconhecimento salarial que desejam, ainda são enquadrados na mesma classe daqueles que se consideram professores simplesmente por terem acesso aos almejados Livros com Resposta.

Mais importante do que valorizar a profissão, é reconhecer o esforço dos profissionais dedicados e distingui-los dos demais.

Professores bons sabem que não se desperta o hábito da leitura em seus alunos apenas colando “desenhos bonitinhos” em um mural, mas que precisam ler para servirem de referência.

Se os professores não se assumirem a Classe Intelectual do país, a categoria jamais será valorizada. E os bons profissionais continuarão sendo ofuscados pela superficialidade vinda dos pseudo educadores.

E DA LEITURA, ALGUÉM SE LEMBRA?

Uma recente pesquisa realizada pelo Ministério da Cultura apontou que apenas metade da população tem o hábito de ler, apresentando uma média de quatro livros por ano.

Será que a leitura perdeu a sua importância social? Acredito que não. Quando uma criança deixa de ler um livro ela está abrindo mão de sua imaginação. A internet, sem dúvida nenhuma, é um grande avanço que representa uma revolução do comportamento humano. Entretanto, pode acabar com a criatividade infantil.

Atualmente, boa parte dos jovens usa o mesmo corte de cabelo, gosta dos mesmos cantores, veste as mesmas roupas e considera que o c.d.f. da turma é aquele que assiste a Discovery Channel. Onde está a diversidade? Não existe mais a carteirinha da biblioteca? A impressão que tenho é a de que o comportamento humano foi padronizado.

Algumas pessoas, equivocadamente, responsabilizam o excesso de informação pela baixa média de leitura. Ora, informação nunca é demais, aparentemente o erro é o de não haver uma orientação adequada para os jovens usarem a internet da forma mais eficiente possível. Já pensou no barato que vai ser quando esta juventude informatizada descobrir que sua influência na política vai bem mais além do que protestar criando uma hashtag no twitter?

Desenvolver um hábito de leitura nas escolas, além de formar cidadãos críticos, melhoraria o desempenho dos alunos em todas as disciplinas, inclusiveem Matemática. Nuncanotou que a maior dificuldade não é em realizar as quatro operações básicas, mas em entender o que representa cada uma delas? Ou vai dizer que você ainda não ouviu alguém falando que achava o “arme e efetue” bem mais fácil que os “probleminhas”?

É fato que as maiores dificuldades das pessoas estão relacionadas com interpretação de texto. Não sou contra os BBB´s e nem os UFC´s da vida, mas me pergunto se não haveria um pequeno espaço na programação para incentivar a cultura? Seria interessante que deixassem bem claro que programas desse tipo não passam de entretenimento.

Os canais de televisão vivem mostrando mulheres com corpos esculturais, homens com músculos bem definidos, mulheres fúteis gastando dinheiro displicentemente, famílias expondo suas mazelas para o público, e se esquecem do cérebro.

Esta massa cinzenta que fica dentro do crânio de cada pessoa não é um músculo, porém precisa ser igualmente exercitada. Se você assistir um filme bom, leia o livro que o inspirou. Se achar um assunto interessante, não se contente apenas com as informações do Wikipédia sobre ele, procure livros que abordam o tema e aprofunde seu conhecimento. Se você gosta de carros, faça assinatura de uma revista sobre automobilismo. E se não tem interesse por nada disso, leia a fofoca sobre algum artista na Contigo ou o resumo da sua novela preferida no jornal, mas não deixe de ler.

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