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Posts Tagged ‘comportamento’

QUANDO O “MAS” É UM PROBLEMA

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Além dos evidentes transtornos causados pela crise política e econômica que nos aflige, ainda tem aquelas pessoas que se aproveitam dessa situação e colocam para fora suas atitudes mais repugnantes, como se pudessem justificá-las com os erros alheios. Assim, pioram significativamente o cenário, afinal, me dói menos o preço da gasolina ou dos produtos do mercado, do que conviver diariamente com pessoas ignorantes.

Essas ações não podem ser taxadas como consequências do insucesso de um governo ou de um time de futebol, por exemplo. Mas, como fruto da própria índole de cada um.

Há poucos dias, presenciei um episódio que ilustra bem o que quero dizer. Enquanto estava prestes a entrar em um evento, cinco rapazes chegaram por fora com intuito de passarem na frente de todos que aguardavam na fila. Ao serem repreendidos, um deles ficou irritado e soltou a seguinte frase: “Rapaz, em um país bosta como este, vou enfrentar fila para quê?!” Continue lendo

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EU ENTENDO ZECA CAMARGO, MAS, NÃO CONCORDO

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Apesar de ter crescido ouvindo Raul Seixas, nunca percebi que, na prática, eu também pudesse ser uma metamorfose ambulante, pois, é difícil reconhecer que a mudança também precisa acontecer em você.

Diante disso, dois episódios independentes que aconteceram nesta semana, me fizeram enxergar, com clareza, que estou passando por uma transformação de mentalidade e atitude. E, como em um filme com um roteiro confuso, vou citá-los em meu texto na ordem inversa a cronologia dos fatos.

Primeiramente, – mas que, no caso, foi o último evento – zapeando pela minha timeline do Facebook vejo a seguinte frase: “virei o tipo de pessoa que foge do tipo de pessoa que eu costumava ser”. Uma postagem da escritora Clara Averbuck, dizendo, literalmente, aquilo que eu queria falar.

Talvez, para outra pessoa que não esteja vivenciando uma transformação de mentalidade parecida com a minha eu, essa afirmação passaria despercebida ou, até mesmo, não faria sentido algum.

Mas, para mim, foi como se tivessem gritado “bingo” dentro do meu cérebro! Sabe aquele momento que você se pergunta: “caramba, como não percebi isso antes?”. Pois é, para mostrar como cheguei nesse raciocínio, vamos para o segundo caso que, na realidade, aconteceu antes que o anterior: O comentário de Zeca Camargo sobre a morte de Cristiano Araújo.

Numa tentativa frustrada de abordar um ponto de vista diferente daquilo que havia sendo feito pela grande mídia, Zeca perdeu uma boa oportunidade de ficar calado e acabou nos brindando com uma enxurrada de clichês preconceituosos sobre cultura popular.

Entendo que realmente, neste momento, há uma ausência de referências culturais e o que existe é uma indústria de “muitos cantores que cantam a mesma coisa”. Provavelmente por isso, não há muitos critérios para definição de novos ídolos nacionais. Assim, seguimos a filosofia do “já que não tem tu, vai tu mesmo” e, infelizmente, abraçamos sucessos que já nascem com data de validade definida.

Talvez, até fosse esse o objetivo de sua crônica. Entretanto, além de não demonstrar preocupação com os sentimentos dos familiares do cantor, ele direcionou o debate sobre cultura para a discussão de gêneros musicais.

E, nesse caso, é bastante comum defender aquilo que gostamos e menosprezar o gosto do outro.

Uma postura é chata, pois, nada te dá o direito de se julgar melhor do que ninguém. Você pode ter se formado em Harvard, mas, mesmo assim ainda não fará um café tão gostoso quanto ao que minha tia faz, lá no interior de Minas Gerais. Continue lendo

SOBRE RELACIONAMENTOS

relacionamentos

Eu nunca tive um namoro que durasse mais de 100 dias. Sempre tive a convicção de que quando ultrapasse a marca dos 3 meses é porque havia encontrado a pessoa com quem me casaria. E foi assim que aconteceu.

Mas, antes que você pense que este será um texto romântico, digo que esse sentimento não tem nenhuma relação com algo passional, nem mesmo com aquilo que chamam de “encontrar o amor da vida”.

Trata-se de pura implicância. Eu sou uma pessoa muito chata e 100 dias são mais que suficientes para eu listar (e potencializar) todos os comportamentos que me irritam em uma pessoa. Ou seja, uma risada estranha ou um posicionamento político diferente do meu, serviam de motivos para esfriar o namoro.

Eu sempre me apaixonei facilmente. Durante minha vida escolar, a cada bimestre estava perdidamente apaixonado por uma garota diferente. E, na maioria das vezes, elas nunca chegaram a ficar sabendo disso.

Eu conseguia a proeza de sofrer com as atitudes de alguém que não fazia a menor ideia que estava me magoando. Aquele relacionamento só existia em minha cabeça, portanto, inevitavelmente eu era o único que poderia sofrer com aquilo.

Depois de muitas frustrações, decidi ser sincero em meus relacionamentos. E a primeira coisa que fiz foi deixar de tentar ser aquele namorado que todo mundo queria ter. Nada de máscaras do tipo assistir um filme ruim sem reclamar só para não queimar o filme com a outra pessoa.

Assumi minhas chatices e expus para o mundo. Coincidência ou não, a primeira namorada que conheceu o meu “eu” mais honesto, também foi a mesma a conseguir ultrapassar a tal marca dos cem dias.

Casamos e dividimos o sofá da sala todas as noites para assistir séries na Netflix.

O fato é que não existe mágica. As coisas acontecerão naturalmente e você precisa ter consciência de que as pessoas não mudam suas essências. Ou seja, é sua decisão aceitar ou não os defeitos de alguém.

Mergulhar em um relacionamento que não te faz bem na esperança de que as coisas vão melhorar um dia ou que você pode “consertar” a outra pessoa, além de ser muita ingenuidade, é de uma prepotência absurda. Continue lendo

SOBRE O ÓDIO QUE SENTEM

O ódio

Acho engraçado como as pessoas acreditam que o fato de não fazer alguma coisa já é relevante o suficiente para cumprir seu papel na sociedade. Hoje, no trânsito para o trabalho, vi um carro com um adesivo dizendo: “A culpa não é minha. Eu votei no Aécio”.

Muito estranho a pessoa declarar abertamente o voto em alguém que também recebeu dinheiro de todas as empreiteiras envolvidas na Operação Lava Jato. Minha dúvida é se ela acredita que, no caso do senador tucano, os empresários doaram milhões de reais por amor ou se, simplesmente, ficou aliviada de seu candidato não ter sido eleito e, consequentemente, a bomba explodir no colo de outros político corrupto.

Enfim, o fato é que o motorista do carro em questão, usou o acostamento para cortar um pequeno trecho do engarrafamento. E aí eu me pergunto: qual será essa tal “culpa” a qual ele se refere?

Se for pelo fato de algumas dezenas de pessoas terem ficado milionárias de forma ilícita, neste caso, realmente ele não é culpado. Entretanto, se a intenção era falar da situação caótica que o país enfrenta, aí, meu caro, o indivíduo errou feio. Errou rude. Continue lendo

NÃO SOU UM CIDADÃO DE BEM

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Independentemente do ano que se inicia, as manchetes dos jornais são sempre as mesmas. Dietas milagrosas, atrizes que vão à praia “fora de forma” e affairs de celebridades. Basta alguns minutos assistindo a programação matinal das três principais emissoras de televisão aberta do país para ter certeza de que estamos longe de alcançar uma maturidade cultural.

Quando vejo o programa da Ana Maria Braga reservar todo o seu tempo para falar sobre bunda, usando a expressão “preferência nacional” para se referir a essa parte do corpo feminino, a vontade que tenho – também influenciado pelo calor desses últimos dias – é de me congelar por algumas centenas de anos, na esperança de que a consciência humana lá no futuro esteja melhor do que agora.

A situação por aqui está tão estranha que conceitos como “hipocrisia” ou “ironia” se tornam obsoletos para descrevê-la. É muita falta de noção para ser descrita por uma palavra só. Continue lendo

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AZUL É DE MENINO, ROSA DE MENINA

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Fila é uma coisa engraçada. Seja no banco, banheiro ou para pegar o ônibus é sempre um bom momento para se observar o comportamento humano. Identificando aquela pessoa mais estressada, ou aquela que trapaceia entrando disfarçadamente na frente de outra que se distraiu por alguns instantes ou, até mesmo, aquela que está cheia de carência afetiva e aproveita um simples contato visual para se aproximar contando histórias de sua vida inteira para a pessoa mais próxima.

E passando por uma dessas filas da vida, ouvi um diálogo que me fez refletir sobre o nível da nossa evolução como humanidade.

Às vezes, a praticidade que as redes sociais nos oferecem para filtrarmos o que pode ou não aparecer em nosso feed de notícias, pode gerar uma sensação ilusória de estarmos no caminho certo. Criamos nosso pequeno universo individual que nos isola de uma realidade bem mais indigesta do que desejávamos.

Quando presenciei tal conversa, foi como se tivessem me arrancado de minha bolha confortável para me aplicarem sessões de choque de realidade.

Antes de continuar com minhas reflexões, transcrevo a seguir o diálogo entre os dois amigos:

– Rapaz, acho que não te contei, mas, finalmente encontrei uma escola boa para meu filho!

– Sério? Que legal!

– Pois é. Essa escola já ensina desde cedo o que é de menino e o que é de menina.

– Nossa, graças a Deus! Hoje em dia esse povo não se importa mais com nada, então é importante reconhecer quem ainda respeita os valores da família.

– Isso mesmo.  Veja o absurdo que eu ouvi lá do Galois, na primeira reunião com os pais a professora já veio com uma conversa de que não haveria festas de dia dos pais ou das mães, mas, um único evento para celebrar o dia da família. Dizendo ela, que o objetivo era de nenhum aluno se sentir excluído dos eventos.

– Que frescura! É por isso que esse país tá essa bagunça danada. Essa pouca vergonha que vemos em cada esquina. (Nesse exato momento comecei a olhar ao redor na esperança de encontrar alguma orgia, mas, só vi uma senhora vendendo enfeites de Natal).

– Por isso estou te falando que agora sim encontrei uma escola boa de verdade. Ontem fui tomar sorvete com meu filho e ele recusou a colherzinha que a balconista lhe ofereceu porque era cor de rosa. Ele disse bem assim: “Troca para mim, tia. Essa aqui é de menina.

– Oh que benção! Tão bonitinho. Pena que nem todos são assim. Continue lendo

A DISTRAÍDA

distraída

 

A distraída entra pela porta da loja de acessórios para celular, apressada e desorientada. Sem fazer rodeios pergunta ao atendente sobre o paradeiro de outro funcionário demonstrando ter amizade com ele:

– Onde está o Juliano? – pergunta esbaforida.

– Está no horário de almoço, senhora. Só retorna às quatorze horas. – responde o funcionário.

– É que eu comprei um cabo USB aqui, está lembrando? – indaga a mulher como se já tivesse certeza que a resposta seria positiva.

– Desculpe, senhora. Mas, como são muitos clientes por dia, não consigo me lembrar agora. Que dia foi feita a compra?

– Há umas três semanas, mais ou menos.

– Mas, em que posso ajudá-la? – perguntou o atendente solícito por obrigação.

– O cabo parou de funcionar, tem como trocá-lo?

– Claro. A senhora está com ele aí? E a nota fiscal?

– Precisa da nota?

– Sim. Da nota e do cabo.

– Do cabo também?!

– Sim, senhora. Precisamos do cabo para trocá-lo.

– Eu deixei o cabo lá em casa, mas, acho que deixei a notinha em algum lugar aqui dentro da minha bolsa.

– Entendo. Mas, a senhora pode procurar com calma e voltar aqui com os dois que nós trocaremos o cabo.

– Posso sentar aqui nessa cadeira para procurar essa notinha? Tenho certeza que ela está por aqui… – perguntou a distraída já se sentando na cadeira da loja.

O vendedor da loja não respondeu, mas, balançou a cabeça afirmativamente.

A mulher remexia a bolsa e retirava uma quantidade significativa de pequenos papéis dobrados lá de dentro.

– E depois ainda dizem que nós mulheres organizamos nossas bolsas. – comentou a distraída, rindo da própria piada.

O atendente não riu.

– E o Juliano, está por aqui? – questionou sem tirar os olhos da bolsa. Continue lendo