Arquivo

Archive for the ‘Lado B’ Category

SOBRE A REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL

maioridade-penal

Devido a minha formação como educador, não consigo cogitar a possibilidade de aceitar com naturalidade a redução da maioridade penal.

Claro que isso não significa que todos os professores devessem pensar como eu. Aliás, defendo que cada um possa ter sua opinião de acordo com suas convicções.

Acontece que os profissionais que contribuíram para minha formação tinham ideais bem claras sobre o papel da educação em uma sociedade e como ela serve para combater o crime antes mesmo que ele aconteça.

Portanto, reduzir a maioridade penal não passa de uma medida paliativa. Algo que irá punir alguns casos mostrados pela mídia, porém, não chegará nem perto de resolver o problema real que aflige o país.

Na verdade, parece que estão tentando criar uma forma punir crimes que incomodam determinada parte da população, para tranquilizar os cidadãos de bem que ficam chocados a cada nova edição do Jornal Nacional.

Afinal, nada pior do que trabalhar um dia inteiro, levando esse país nas costas e ainda ter que, no fim do dia, aturar notícias de violência urbana depois de chegar em casa, não é mesmo?

Ao que tudo indica, querem fazer uma legislação que, aparentemente, não visa reduzir a quantidade de homicídios que acontecem diariamente nas periferias e não noticiados pela televisão.  Continue lendo

Anúncios

SOBRE O ÓDIO QUE SENTEM

O ódio

Acho engraçado como as pessoas acreditam que o fato de não fazer alguma coisa já é relevante o suficiente para cumprir seu papel na sociedade. Hoje, no trânsito para o trabalho, vi um carro com um adesivo dizendo: “A culpa não é minha. Eu votei no Aécio”.

Muito estranho a pessoa declarar abertamente o voto em alguém que também recebeu dinheiro de todas as empreiteiras envolvidas na Operação Lava Jato. Minha dúvida é se ela acredita que, no caso do senador tucano, os empresários doaram milhões de reais por amor ou se, simplesmente, ficou aliviada de seu candidato não ter sido eleito e, consequentemente, a bomba explodir no colo de outros político corrupto.

Enfim, o fato é que o motorista do carro em questão, usou o acostamento para cortar um pequeno trecho do engarrafamento. E aí eu me pergunto: qual será essa tal “culpa” a qual ele se refere?

Se for pelo fato de algumas dezenas de pessoas terem ficado milionárias de forma ilícita, neste caso, realmente ele não é culpado. Entretanto, se a intenção era falar da situação caótica que o país enfrenta, aí, meu caro, o indivíduo errou feio. Errou rude. Continue lendo

SOBRE O DIA 8 DE MARÇO

dia-da-mulher

Escrever sobre o Dia Internacional da Mulher é sempre uma tarefa complicada. Não por falta de inspiração, mas, porque estou contaminado culturalmente por clichês que mais reforçam comportamentos que deveriam ser combatidos, não só no dia 8 de março, mas, também nos outros 364 dias do ano.

Então, a melhor coisa que posso fazer pela causa é não atrapalhá-la, escrevendo um monte de baboseiras temperadas por um machismo que existe independentemente de querer ou não.

Portanto, neste primeiro momento, deixarei o plural de lado e vou falar apenas de uma mulher: minha mãe.

E não farei isso usando esses blá blá blás que costumo ver por aí durante este mês. Vou escrever sobre ela porque já faz um tempo que desejo homenageá-la e achei que este seria um bom momento para isso.

Minha mãe, apesar de ter passado por maus bocados na infância sendo criada apenas pela minha vó, nunca vestiu a armadura de “mulher guerreira”. Enfrentou as dificuldades que apareciam porque não havia outra opção. Continue lendo

SOBRE O DEBATE DA BAND

debate band

Política é uma coisa muito engraçada e, particularmente, sempre gostei de acompanhá-la. Debates políticos são verdadeiras peças teatrais, onde cada ator já tem um texto decorado e aproveita cada oportunidade, por menor que seja, para emplacar o seu discurso.

Ontem, no primeiro debate entre os candidatos à presidência da República, tivemos um espetáculo completo com protagonistas e coadjuvantes.

Um aspecto que despertou minha curiosidade é que apesar de todos candidatos defenderem a tal “mudança” na política, só foi possível notar essa ideia em três dos sete candidatos presentes. Luciana Genro (PSOL), pastor Everaldo (PSC) e Eduardo Jorge (PV) apresentaram, de fato, propostas que realmente representam alteração na forma de governar o país, cada um ao seu estilo.

Perceba que nenhum deles figura entre os favoritos. Portanto, se você estava sedento por mudanças, melhor esperar até 2018.

Luciana Genro, nos moldes da esquerda tradicional, propõe debates de temas importantes, mas, que sempre foram deixados de lado por conta das polêmicas que os acompanham, como por exemplo, a legalização da maconha e regulamentação do aborto. Seria verdadeiramente uma mudança significativa na forma de direcionar o país, porém, sinceramente, acredito que o Brasil, tanto como sociedade quanto como Congresso, está imensamente distante da maturidade política necessária para colocá-los em prática. Suas idéias, embora modernas, são inviáveis na atual conjuntura da política brasileira.

Pastor Everaldo, por sua vez, caminha em direção oposta a de Luciana. Defendendo um discurso completamente obsoleto, onde deixa claro sua intenção de entregar o país para a iniciativa privada. Mas, não explica como isso ajudaria na redução de juros e nem consegue listar quais seriam os benefícios dessa medida para a população. Será que privatizar a Petrobras reduziria os preços dos combustíveis? Observando outros países, seja com empresas estatais ou com privadas, não consigo fazer uma relação direta para concluir que isso aconteceria.

Francamente não consigo entender como ainda é possível que um país, em pleno desenvolvimento econômico, apresente candidatos como esse. Defensor da “família tradicional” e que diz respeitar as diferenças, porém, nas eleições para o presidente de um estado laico, leva para a urna um título religioso ao lado de seu nome.

Eduardo Jorge, aparentemente, é dotado de boas ideias e intenções. Pensamentos modernos, sustentáveis e menos radicais que os de Luciana, o que os tornam mais viáveis atualmente. Porém, o candidato não transmitiu segurança em seus argumentos, parecendo, algumas vezes, que não estava encarando o debate com a seriedade esperada.

Levy Fidelix (PRTB) não propôs nada diferente. Para ser sincero, me pareceu que ele estava ali a passeio. Confesso que foi difícil levá-lo a sério após sua declaração sobre estar ali para “bombardear os grandões” ao se referir aos três principais candidatos. Sobre segurança pública, defendeu o direito de cada “cidadão de bem” ter sua própria arma em casa. Juro que fiquei esperando um “Deus salve a América” ao final de seu discurso para completar de vez a caricatura do “político-que-zela-pelo-bem-da-família”.

Sobre os três candidatos mais bem cotados nas pesquisas, Dilma (PT), Marina (PSB) e Aécio (PSDB), há pouco o que comentar. O trio está cercado por excelentes assessores e, por isso, dificilmente entrariam em alguma polêmica durante um debate ao vivo. Seguiram a cartilha e fizeram bem o dever de casa. Continue lendo

LANÇAMENTO DO LIVRO

Olá caros amigos e leitores.

É com imensa alegria que venho convidá-los para o lançamento do meu livro Contos de Amor e Ódio.

Se você mora aqui em Brasília, dê uma passadinha por lá!

LibertyCultural-post

Categorias:Lado B Tags:,

RESENHA – O ESCRITOR DA PESTANA CAÍDA

livro escritor

Não estou acostumado a fazer resenhas de livros, então, não sei se o que estou fazendo agora é uma resenha propriamente dita.

Para evitar confusões, prefiro pensar que estou escrevendo minhas considerações. Nada de termos técnicos.

Apenas eu falando sobre um livro que li.

O escritor da pestana caída é um livro peculiar. Hoje em dia, o mundo te cobra tanto uma postura correta, que o humor vem se tornando cada vez mais irreverente. As vezes até ultrapassando os limites, levantando a questão se há ou não limites para o humor.

Não gosto de me aprofundar nesse tido de debate, até porque, para mim, humor é aquilo que me faz rir (seja lá como for) e ponto final.

Como escritor, penso no humor como um desafio. É muito difícil se dedicar a escrever coisas engraçadas. É mais fácil você passar para o papel (ou página do word) tudo aquilo que te incomoda do que escrever algo que alivie o incômodo das outras pessoas.

No livro, Thiago Meister (o autor) consegue mostrar um contraponto a tudo que escrevi ali a cima. Ele resgata o humor simples, que corteja a bobeira sem ser bobo. Algo semelhante ao que o Mazzaropi começou a fazer por aqui no século passado, numa época em que o humor não tinha tanta necessidade de ser audacioso como nos dias atuais.

O fato é que de Mazzaropi a Rafinha Bastos, é possível encontrar coisas que me fazem rir igualmente. E percebo, talvez equivocadamente, que os humoristas atuais viram as costas para o humor simples e ou quando tentam colocá-lo em prática, acabam fazendo uma verdadeira zorra com a memória do nosso querido Jeca TatuContinue lendo

Categorias:Lado B Tags:,

O CARA QUE GRITA: TOCA RAUL!

TOCA-RAUL

Eu sou o cara que grita “toca Raul” durante qualquer show.

Antes de me julgar e até condenar, tente entender os meus motivos. Quando peço para tocarem Raul, não é porque estou bêbado ou porque não estou gostando das músicas do ambiente. Pelo contrário.

O “toca Raul” virou uma espécie de interjeição. É tipo um “viva!”, um “bravo!” ou um “hip hip uha!” para os raulseixistas.

O Raul morreu em 21 de agosto de 1989 e eu nasci em 1986, apenas três anos antes. Mesmo assim, me tornei fã dele ainda na infância.

Com sete anos de idade, eu respondia nas atividades escolares que minha música preferida era o Trem das sete. E tem mais, segundo informações de minha mãe e, por isso, são incontestáveis, durante a gestação eu já curtia o velho e bom rock´n roll temperado com baião, enquanto ela limpava a casa ao som da vitrola tocando o disco Metrô linha 743 no último volume. Continue lendo