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POR QUE ME CASEI?

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Não é difícil encontrar com alguém me perguntando sobre o motivo por eu ter me casado tão cedo. Confesso que, além de não saber o que responder, não entendo o que a pessoa quer descobrir com uma pergunta como essa.

Afinal, me casei com vinte e cinco anos, ou seja, um quarto de século. Nessa idade, Janis Joplin, Jim Morrison ou Kurt Cobain já estavam no auge da fama, conquistando multidões com o seu trabalho. Évariste Galois precisou de cinco anos a menos que isso para revolucionar alguns conceitos matemáticos, morrendo aos vinte. E Jesus Cristo, apenas com mais oito, mudou o curso da humanidade.

Portanto, os conceitos de cedo e tarde podem variar conforme as ações de cada pessoa. Sendo assim, não acho que me casei cedo. Nem tarde. Me casei quando tive vontade de me casar e achei que estava preparado para isso.

Mas, aí aparecem os questionamentos mais profundos: “como você sabia que estava pronto?”; “o que te levou a casar?”; “como sabia que ela era a pessoa certa?”; “não teve medo de dar errado?”.

Bem, quanto mais você se afastar de conceitos e regras para um relacionamento feliz, mais fácil será sua adaptação. Fuja dos livros de auto ajuda e, se possível, queime-os para que eles não estraguem a vida de mais ninguém.

Digo isso porque foi, justamente, quando me desprendi da obrigação de cumprir um papel social, que consegui viver um relacionamento pleno. Onde finalmente eu consegui compreender e ser compreendido por alguém.

Quando cada despedida passava a sensação que tinha algo errado, como se o assunto do dia ainda não tivesse acabado, foi que eu percebi que havia chegado o momento certo.

Não foi uma decisão fisiológica, como alguns insistem em fazer. Acontece que, enquanto algumas pessoas mitificam o sexo e perdem tempo em academias, cuidado de aspectos físicos e estéticos, para atrair um companheiro tão atlético quanto, eu constatei que existia algo muito mais mágico numa relação.

Se fosse apenas pelo sentido físico e superficial, eu não me casaria e nem me relacionaria com ninguém. Provavelmente, me tornaria cliente vip de algumas prostituas da cidade.

Porém, eu precisava de algo mais. A minha paixão se deu pelo companheirismo que encontrei naquela pessoa. Uma coisa que não se consegue nem mesmo pagando as maiores cifras que alguém pode ter.

Existem coisas que não são consumíveis. Elas apenas acontecem quando se alcança determinado nível de companheirismo em uma relação. E foi essa sensação que me fez perceber que estava com a pessoa certa.

Não me casei para ter filhos e constituir uma família. Também, não foi pensando em me tornar um cidadão de bem, comprometido com os valores e bons costumes da família tradicional brasileira. Nada disso.

Não foi algo tão sofisticado e complexo assim. A decisão foi pautada pela simplicidade de querer alguém para assistir séries comigo, compartilhar livros, ler e avaliar os meus textos em primeira mão. Queria, apenas, ficar ao lado de uma pessoa com quem eu mais gosto de conversar.

O resto é pura consequência.

Por exemplo, algumas pessoas, antes mesmo de assinarem os papéis e dizerem o sim diante do altar, já decidiram a quantidade de filhos que querem ter e, até mesmo, os nomes de cada um. Ao meu ver, essa é uma atitude tão ingênua quanto a de quem se casa pesquisando quanto custa um divórcio.

Não se dá para prever nada. A relação tem que ser construída diariamente e o seu destino deve ser traçado com participação de todos os envolvidos nela. O sucesso, ou não, vai depender de diversos fatores que são impossíveis de serem estipulados.

Portanto,se eu fosse aconselhar alguém, além de pedir para se livrar dos livros de auto ajuda, diria para, primeiramente, estipular o que se espera encontrar em uma relação.

No meu caso, esperava alguém que assistisse televisão comigo, sem se importar em virar a noite conversando, até dormir só depois que o sol nascesse. E, obviamente, também não poderia reclamar das minhas receitas na cozinha.

Agora, essas coisas serveriam para você? Já sabe quais são os pontos fundamentais que formam sua personalidade? O que pensa sobre religião? E política? Futebol? Dinheiro? Trabalho? Qual sua opinião a respeito de tudo isso?

Antes de escolher um nome para um provável filho ou decidir as cores que seriam as paredes de minha futura casa, procurei refletir sobre todos esses questionamentos, e mais alguns, para, só assim, decidir se devia ou não fazer o tão esperado pedido.

Já vão completar quatro anos, desde então. Mais de mil dias. E, até agora, estou satisfeito com minha decisão. As dúvidas, medos e preocupações sempre irão aparecer. Afinal, com certeza, em um planta com bilhões de pessoas, você vai acabar se interessando por mais alguém no decorrer de sua vida. Mas, isso não é nenhum bicho de sete cabeças, pois, não tem como fugir dessa situação.

Porém, em uma relação franca, tudo é mais fácil de ser solucionado, afinal, você não precisa enfrentar seus problemas sozinho. Penso que não internalizar nada é o grande segredo para evitar frustrações.

Acho que a franqueza é sempre muito importante na hora de estabelecer os contratos a serem cumpridos em uma relação. Porque, depois de estabelecidos, é preciso comprometimento de todas as partes, pois, se trata de uma escolha. E a quebra deles é que configura as traições.

Sendo assim, acredito que não tenho uma resposta exata para dizer porque me casei. São vários elementos e, muitos deles, ainda nem descobri. Seria bem mais fácil, e prático, explicar os motivos das vezes em que não me casei.

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  1. 16/01/2016 às 17:54

    gostei. Acho que dá pano pra manga. Acrescentaria que o grande desafio da relação é se adaptar as diferenças e não querer que eu outro mude.

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