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Archive for julho \14\UTC 2015

QUANDO O “MAS” É UM PROBLEMA

intolerancia2

Além dos evidentes transtornos causados pela crise política e econômica que nos aflige, ainda tem aquelas pessoas que se aproveitam dessa situação e colocam para fora suas atitudes mais repugnantes, como se pudessem justificá-las com os erros alheios. Assim, pioram significativamente o cenário, afinal, me dói menos o preço da gasolina ou dos produtos do mercado, do que conviver diariamente com pessoas ignorantes.

Essas ações não podem ser taxadas como consequências do insucesso de um governo ou de um time de futebol, por exemplo. Mas, como fruto da própria índole de cada um.

Há poucos dias, presenciei um episódio que ilustra bem o que quero dizer. Enquanto estava prestes a entrar em um evento, cinco rapazes chegaram por fora com intuito de passarem na frente de todos que aguardavam na fila. Ao serem repreendidos, um deles ficou irritado e soltou a seguinte frase: “Rapaz, em um país bosta como este, vou enfrentar fila para quê?!” Continue lendo

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EU ENTENDO ZECA CAMARGO, MAS, NÃO CONCORDO

Zeca_Camargo

Apesar de ter crescido ouvindo Raul Seixas, nunca percebi que, na prática, eu também pudesse ser uma metamorfose ambulante, pois, é difícil reconhecer que a mudança também precisa acontecer em você.

Diante disso, dois episódios independentes que aconteceram nesta semana, me fizeram enxergar, com clareza, que estou passando por uma transformação de mentalidade e atitude. E, como em um filme com um roteiro confuso, vou citá-los em meu texto na ordem inversa a cronologia dos fatos.

Primeiramente, – mas que, no caso, foi o último evento – zapeando pela minha timeline do Facebook vejo a seguinte frase: “virei o tipo de pessoa que foge do tipo de pessoa que eu costumava ser”. Uma postagem da escritora Clara Averbuck, dizendo, literalmente, aquilo que eu queria falar.

Talvez, para outra pessoa que não esteja vivenciando uma transformação de mentalidade parecida com a minha eu, essa afirmação passaria despercebida ou, até mesmo, não faria sentido algum.

Mas, para mim, foi como se tivessem gritado “bingo” dentro do meu cérebro! Sabe aquele momento que você se pergunta: “caramba, como não percebi isso antes?”. Pois é, para mostrar como cheguei nesse raciocínio, vamos para o segundo caso que, na realidade, aconteceu antes que o anterior: O comentário de Zeca Camargo sobre a morte de Cristiano Araújo.

Numa tentativa frustrada de abordar um ponto de vista diferente daquilo que havia sendo feito pela grande mídia, Zeca perdeu uma boa oportunidade de ficar calado e acabou nos brindando com uma enxurrada de clichês preconceituosos sobre cultura popular.

Entendo que realmente, neste momento, há uma ausência de referências culturais e o que existe é uma indústria de “muitos cantores que cantam a mesma coisa”. Provavelmente por isso, não há muitos critérios para definição de novos ídolos nacionais. Assim, seguimos a filosofia do “já que não tem tu, vai tu mesmo” e, infelizmente, abraçamos sucessos que já nascem com data de validade definida.

Talvez, até fosse esse o objetivo de sua crônica. Entretanto, além de não demonstrar preocupação com os sentimentos dos familiares do cantor, ele direcionou o debate sobre cultura para a discussão de gêneros musicais.

E, nesse caso, é bastante comum defender aquilo que gostamos e menosprezar o gosto do outro.

Uma postura é chata, pois, nada te dá o direito de se julgar melhor do que ninguém. Você pode ter se formado em Harvard, mas, mesmo assim ainda não fará um café tão gostoso quanto ao que minha tia faz, lá no interior de Minas Gerais. Continue lendo