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SOBRE LIMITES, INCLUSIVE NO HUMOR

limite

Recebi uma sugestão para escrever sobre o limite do humor. Achei um tema bem inusitado, mas, gostei da ideia.

Como não sou um humorista, não me sinto no direito de interferir nas diretrizes da profissão dizendo o que é certo ou errado nela. Então, de uma forma bem despretensiosa, acredito que toda piada é válida, contanto que faça alguém rir.

Porém, como cidadão me pauto pelas leis do país – e aqui não me refiro apenas ao humor – logo, um crime, antes de qualquer outra coisa, sempre será um crime.

Mas, então, esse seria o limite de uma piada?

Tomando como base o sentido literal da palavra, ainda acredito que não. Afinal, se a legislação servisse de limite para todo mundo não teríamos tantos crimes por aí…

O fato é que esse é um assunto muito subjetivo. Depende muito até onde cada um está disposto a ir, mesmo sabendo das consequências que terá que enfrentar por conta de seus atos. Lembrando que, em algumas crenças, nem mesmo a morte seria um limite.

Sendo assim, me reservo ao direito de direcionar este texto para os meus limites. Não só no humor, mas, em outros aspectos que também considero contraditórios.

Acho muito estranho quando vejo alguém usando a expressão “amor incondicional” como forma de descrever seu sentimento por outra pessoa.

Acredito que, assim como algumas pessoas usam o humor para justificarem suas atitudes racistas, por exemplo, outras usam o amor para justificar suas paranoias. Sentir-se dono de outra vida, apenas por amá-la, é algo que me parece um absurdo, porém, tem gente que acha lindo.

Dessa maneira, quando um sentimento meu faz mal para mim ou para outra pessoa, significa que ultrapassou seus limites e já é qualquer outra coisa, menos amor.

Religião também é outro tema controverso que merece um pouco de atenção.

Por exemplo, acho simplesmente hilariante chegar em casa e encontrar um exemplar da “Folha Universal” jogado em minha garagem na esperança de ser lido. Porém, o único tempo que dedico àquele jornal é o suficiente para recolhê-lo do chão e jogá-lo no lixo.

Supondo que cada volume daquele teria custado para a igreja algo em torno de um real para ser fabricado, creio que os pastores poderiam pensar em um destino melhor para o dízimo arrecadado. Nada contra a tentativa desesperada de tentarem arrebanhar mais fiéis para o seu templo, porém, usar um meio de comunicação obsoleto para isso me parece uma estratégia falha.

Agora, diante desse cenário, eu pergunto: Se eu não me senti ofendido com essa invasão de privacidade e nem com o fato de desrespeitarem a minha crença (ou a falta dela) ao tentarem me impor uma leitura extremamente tendenciosa, por que então fazer tanto estardalhaço por causa de uma piada?

Se existisse mesmo um limite nesse contexto, ele não deveria servir para os dois lados?

Portanto, como o Malafáia e o padre da igreja da esquina não estão nem aí para o que eu penso e vão continuar evangelizando as pessoas sem considerar vontade delas, a recíproca é verdadeira em ambos os casos.

Entretanto, eu pensaria duas vezes antes de fazer uma piada sobre religião na frente da minha vó, que vai todos os dias ao culto. E nem diante do meu pai, que é ministro da eucaristia.

Também não arriscaria fazer uma charge de determinado profeta, mas, aí o motivo é simplesmente pelo egoísmo de amar minha própria vida.

Logo, o meu limite não seria propriamente o tema em si, mas, a preocupação em não ferir os sentimentos de pessoas que considero importantes para mim, independentemente do que elas acreditam ou deixam de acreditar.

É dessa maneira que tento estipular minhas fronteiras sociais. Procurando fazer aquilo que me agrada sem deixar que alguém me diga o que eu devo ou não fazer, porém, sempre observando e zelando pelas pessoas que estão ao meu redor.

De certa forma, também acredito que assim deveria ser feito por todo mundo. Cabendo a cada um descobrir seus limites e arcar com as consequências, caso eles ultrapassem os preceitos legais, morais ou éticos.

E, ao invés de ficar fiscalizando piadas que não fazem sentido para você, tente conviver com pessoas que tenha mais afinidades. Garanto que entre seus pares, tudo fica ilimitadamente mais engraçado.

E, ao invés de ficar fiscalizando piadas que não fazem sentido para você, tente conviver com pessoas que tenha mais afinidades. Garanto que entre seus pares, tudo fica ilimitadamente mais engraçado.

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