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ENTRE GOSTOS E DESGOSTOS

pessoa chata

 

Ultimamente tenho percebido que “gostar” ou “não gostar” está cada vez mais evidente entre meu círculo de convivência. Parece que algumas pessoas se sentem na obrigação de opinar sobre qualquer coisa. Algumas vezes opinam até mesmo sobre um assunto pelo qual não se interessam, se prendendo ao menor fio de conhecimento para defender ideias que contradizem suas próprias atitudes.

Eu admiro pessoas idealistas e, desde a época escolar, sempre gostei de bons debates. Portanto, não critico esse comportamento apenas pelo fato de me incomodar com a opinião alheia. O que me espanta é a falta de conteúdo. A argumentação pobre e vazia que, muitas vezes, tem mais poder de agredir do que de convencer.

Minha cabeça é mais bagunçada do que minhas gavetas de roupas. Freud, para estudar a minha mente, precisaria da determinação de quem só tem mais uma vida para passar de fase no Candy Crush.  Meus pensamentos passeiam pelos mais distintos campos, conservadores, anárquicos, rebeldes, passivos, socialistas, neoliberais e por aí vai. Uma verdadeira salada de conceitos e convicções. Mas, tento manter uma lógica nas minhas opiniões, buscando o mínimo de coerência.

Percebi então que pessoas com mais afinidades em comum, geralmente, apresentam comportamentos semelhantes diante de determinadas situações. Portanto,  antes de formar uma opinião sobre determinado assunto, acredito seja de fundamental importância observar primeiro o que certas pessoas pensam sobre o tema. Daí então, faço a seguinte reflexão: Se a vida é uma escola, é com quem esta pessoa que quero trabalhar em grupo?

Não se trata de copiar ideias. Mas, elencar argumentações baseadas em pessoas que não se parecem em nada comigo. Assim, evito conflitos desnecessários, não me decepciono mais com indicações de livros, filmes ou séries e até entendo melhor algumas posições políticas.

A seguir explico melhor cada um desses aspectos:

Indicar uma leitura, filme ou série para alguém é algo muito complicado. Já passei por algumas situações constrangedoras do tipo ter que disfarçar a decepção ao receber uma empolgada indicação de um livro de auto ajuda. Nada contra ela nem o livro, apenas não é meu gênero literário preferido. Portanto, toda vez que alguém me indica um livro, filme ou série, sempre me pergunto se o que é bom para ela também seria bom para mim.

Consequentemente evito conflitos desnecessários. Afinal, o fato de alguém não ter o mesmo gosto literário que eu, não implica que ela seja uma má pessoa ou que não tenhamos afinidades em outros aspectos. Ou seja, discutir, ofender ou se irritar com alguém do seu círculo de amizades não ajuda em nada. Na maioria dos casos, é melhor ignorar do que ficar criando conceitos do que é certo e errado.

Já na política, a ideia é simples: Toda vez que vejo uma opinião sem nenhum “porém”, discordo imediatamente daquela pessoa. Assim, me distancio de uma ideia radicalista e consigo listar prós e contras antes de definir minha posição.

Acredito que na vida e na política, nada pode ser completamente certo ou errado e nem puramente bom ou ruim. Tudo depende de inúmeros fatores que interferem em minha interpretação. Sendo assim, cada ser é único, formado apenas por suas experiências de vida. Ninguém é capaz de saber realmente o que se passa na mente de outra pessoa, portanto, julgá-la e condená-la com base nas próprias convicções seria algo superficial.

Talvez a subjetividade não deveria ser encarada apenas como um conceito vago, mas, como uma disciplina a ser ensinada nas escolas. Para que desde cedo as pessoas pudessem entender que não existem verdades absolutas, mas, verdades individuais que afetam cada ser de uma forma diferente.

Porém, o que vejo hoje é completamente diferente. São pessoas que desconhecem tanto o conceito como o significado literal da palavra e ficam por aí julgando e condenando todos que são contrários às suas convicções. Não se calam diante de nada. Gritam, esbravejam e fazem o que for necessário para agradarem uns aos outros, como se fossem animais buscando aceitação de um grupo.

Com um pouquinho mais de consciência e percepção de que nossa beleza está justamente na diversidade de pensamentos, não teríamos por aí tantos discursos prepotentes ou vazios, pois, seria perfeitamente aceitável não ter uma opinião formada sobre determinado assunto ou discordar do ponto de vista de alguém. Não haveria essa necessidade desenfreada de demonstrar para os outros o que você é, pois bastaria apenas sua aprovação para encontrar a felicidade.

Ser chato, feio, gordo, crente, cético, preguiçoso ou sedentário não seriam atitudes abomináveis, mas, opções de vida.

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