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O DIA EM QUE O BRASIL FEZ UMA TEMPESTADE EM COPO D`ÁGUA

tempestade em copo dagua

Claudiney Brasil gosta de reunir a família na sala para assistir ao Jornal Nacional, pois sabe que um homem bem informadotem mais chances de alcançar sucesso na vida. Também bate uma bolinha todo sábado com os amigos, afinal o sedentarismo é coisa de gente preguiçosa. E Claudiney Brasil tem pena de gente preguiçosa.

Nos finais de semana, após o futebol, Claudiney bebe uma ou duas cervejinhas, afinal, ninguém é de ferro, não é mesmo?

Há anos esse foi o roteiro de sua vida, até a manhã daquele fatídico dia em que Claudiney Brasil precisou sacar dinheiro para comprar um novo Xbox para seu filho. Normalmente pagaria com o cartão de crédito, porém a banca da feira, que ofertava o console por quase metade do preço anunciado por uma conhecida loja de eletrônicos, aceitava apenas pagamento à vista.

“O preço é menor porque é sem impostos, por isso tem que ser a vista.” Justificava o vendedor e Claudiney Brasil maldizia o país que lhe servia de pátria e sobrenome. “Melhor pagar à vista do que dar dinheiro para esse presidente ladrão.” Concluía assim sua lamentação.

No caminho para o banco, lembrou que o garoto não ia nada bem na escola, porém, assistira na televisão alguém falando sobre jogos de videogame que ajudavam significativamente no desempenho escolar das crianças. Naquele instante, Claudiney teve um insight e soube como melhorar as notas do filho, afinal, de uma coisa sempre teve certeza: não há criança mais esperta do que aquele moleque. O problema das notas baixas deveria ser culpa dos professores, que só pensam em aumento de salário e não se preocupam em ensinar direito os filhos dos outros.

Na agência bancária, ficou nervoso por ter que enfrentar uma fila, mas, finalmente, depois de quinze minutos, chegou sua vez de usar o caixa eletrônico. E Claudiney Brasil ficou atônito ao ler a mensagem que apareceu no monitor ao inserir seu cartão na leitora: “cartão inválido”.

Mas que absurdo! Claudiney Brasil, além de indignado, estava ofendido. Como assim “inválido”? Aquilo não tinha o menor cabimento.

Repetiu a operação mais algumas vezes e o resultado foi sempre o mesmo. Claudiney resmungou um palavrão qualquer, esboçou esmurrar a máquina, mas, por ser um cidadão civilizado, se virou e procurou algum atendente para auxiliá-lo: Continue lendo

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