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PRIMEIRO AMOR

casal

O coração dentro do peito batia ao ritmo de uma escola de samba. O suor frio encharcava a palma de sua mão e provocava-lhe calafrios, arrepiando os delicados pelos dos braços e da nuca. Regina estava apaixonada e embriagada pelo clímax que precedia o primeiro beijo.

Seus olhos fechados não viram que os dele estavam abertos. Aquele momento tinha que ser perfeito. Regina acreditou nessa sentença.

Um dia foram jantar juntos e ele não conversou muito com ela. Regina iniciava diversos assuntos, mas o companheiro devolvia poucas palavras. A moça de pele branca e rosada desferia o olhar mais apaixonado que seus olhos verdes podiam produzir.

Mas, o olhar que vinha do homem sentado em sua frente era vazio e percorria todos os cantos do estabelecimento, menos o rosto de sua companheira. Regina acreditou que aquele comportamento era resultado de um dia cansativo no trabalho.

No dia dos namorados, Regina acordou cedo para colocar em prática o que havia planejado durante um mês inteiro. Escreveu dezenas de bilhetes carinhosos e os escondeu pelos cômodos da casa dele. Encomendou uma cesta de café da manhã e enviou para o escritório onde seu amado trabalhava. Por fim, para atender ao pedido dele, comprou uma camisa oficial do time para o qual ele torcia.

Naquela noite romântica, se encontraram para celebrarem o dia juntos. Antes de qualquer coisa, ele pediu para que ela não enviasse mais nada para o escritório, pois seus colegas de trabalho ficaram fazendo piadas o dia todo. Comentou que encontrou o monte de papel que ela deixou em sua casa e que, como eram muitos, nem leu todos. Mas, disse que achou tudo muito bonitinho e entregou para ela um embrulho retangular.

Antes de abrir o embrulho Regina procurou por algum cartão, mas, não havia nenhum. Seu presente era o DVD dos Beatles que tinha pedido. Ela sorriu e entregou o pacote com a camisa do time.

Ele ficou entusiasmado e os olhos dele brilharam quando suas mãos tocaram naquele manto sagrado. Ele agradeceu e lembrou que da próxima vez ela nem precisa se preocupar com outras bobagens, basta entregar o presente direto. Regina acreditou que ele estava certo, afinal, ambiente de trabalho é um lugar sério, ela adora os Beatles e o amor de um homem pelo seu time de futebol é algo imensurável.

Regina não ouviu sinos tocarem e nem fogos de artifício no céu, porém acreditou que aquela foi uma noite feliz.

Certo dia, após alguns anos de namoro, Regina flagrou seu companheiro enfiando sua língua na boca de uma loira que suspirava intensamente.

Mais que raiva, ela sentiu inveja daquela mulher. Nunca havia sido agarrada e desejada daquela forma.

Virou-se e foi embora sem falar nada. Enquanto chorava calada, quis acreditar que a culpa era sua, pois sempre foi uma mulher prudente e comportada. E todo mundo sabe que homem gosta de mulher safada.

Decidiu que não terminaria o namoro. Ela amava aquele homem e dali em diante seria uma nova mulher. Mudaria seus hábitos para um dia ser desejada como aquela loira. Ensinaram-lhe que desistir era sinônimo de fraqueza e Regina acreditou que deveria lutar pelo seu amado.

O tempo passou e, ao contrário das quatro estações do ano, pouca coisa mudou naquele relacionamento. Regina descobriu mais um ou dois casos de infidelidade do namorado e se sentia cada vez mais fracassada. Seria mesmo digna de um homem tão bom? Começou a duvidar da sua qualidade de mulher.

Regina estava infeliz, mas, amava aquele homem. Ela queria acreditar que aquilo que sentia era mesmo amor.

O relacionamento durou por mais alguns meses até ser encerrado pelo namorado, que justificou a atitude ter sentido ela muito distante dele nos últimos dias. Achava ainda que alguma coisa havia se perdido com o tempo.

Ela chorou, argumentou e, por fim, aceitou. A partir daquele dia, Regina acreditou que jamais amaria novamente.

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  1. 17/07/2013 às 22:48

    E assim a vida de todas as Reginas seguem. Amando e desamando!

  2. Karin K.
    23/08/2013 às 12:35

    O amor nunca é perfeito, muito menos o primeiro!

    • 23/08/2013 às 14:16

      Que saudade dos seus comentários, Karin. Muito bom te ver de volta aqui no blog!

  3. Karin K.
    02/09/2013 às 14:28

    Olá Rodolfo, que bom você ter encontrado tempo para escrever de novo. Siga em frente!

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