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RENAN NÃO É O VILÃO DA HISTÓRIA

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O cenário politico brasileiro é algo que me entristece profundamente. Mas, não sinto raiva dos políticos que ocupam (ou deveriam ocupar) o Congresso Nacional. Boa parte deles faz apenas o que sabe fazer, ou seja, nada. São pessoas desqualificadas, alienadas, obsoletas e oportunistas.

Minha raiva é de quem vota em políticos desse nível. Eleitores que não levam as eleições a sério, que reclamam da política e “protestam” elegendo o Tiririca.

Que tipo de protesto é esse no qual o prejudicado é o próprio protestante? Nossa omissão, ou, quem sabe até mesmo  certa preguiça de acompanhar as coisas não é um sinal de inteligência, muito menos de protesto.

Uma sociedade omissa é o cenário perfeito para um Congresso picareta.

Vez ou outra me deparo com pessoas que realmente estão irritadas com a política e saem por aí proferindo as mais insanas ideias para salvar o país.

Sou de Brasília e por aqui existem alguns “indignados” com o governo do PT que pedem a volta do governador Arruda (lembram dele? Sim, é aquele mesmo que foi preso). Já até criaram alguns adesivos para carro com o brilhante slogan: “Volta Arruda, que eu voto”.

Não é possível que alguém em sã consciência vote em um político que já foi preso. É inadmissível que o desejo de uma sociedade seja o que vença o “menos pior”. Isso está errado… E o erro, infelizmente, é de boa parte da sociedade que pensa assim.

Acontece que crescemos assistindo filmes, desenhos e novelas. Onde sempre havia dois lados, o do bem e o do mal. Na igreja, nos ensinaram sobre o céu e o inferno. Na Matemática, aprendemos sobre o positivo e o negativo.

E, como somos reflexo daquilo que presenciamos na vida, levamos esse pensamento bipolar para entender a sociedade.

O PSDB não está bom? Vamos votar no PT. Espera aí, agora é o PT que não está legal? Então volta para o PSDB.

Não! Isso está errado.

Esse não pode ser o pensamento de uma sociedade que quer o melhor. Não existem apenas dois lados. Na verdade, o atual cenário político brasileiro é um circo círculo, onde não há lados.

Atualmente a divisão é feita apenas entre quem está no governo e aqueles que estão querendo entrar. Não há mais diferenças ideológicas. Todos irão governar da mesma forma.

Acredito que esse conceito de “dois lados” não pode nem ser aplicado para definir o ser humano, imagine então para explicar a política.

Filosofando dentro dos conceitos da metafísica, posso dizer que não existe ninguém 100% bom.

Partindo dessa ideia, quando o objetivo é eleger os nossos representantes da nossa sociedade, precisamos deixar emoções de lado e realizar apenas, me perdoe pelo trocadilho, ações friamente calculadas.

Ou seja, o cara roubou? Está fora, não interessa os motivos.

O cara que entrou no lugar dele roubou também? Então está fora também!

E que estes dois sumam do mapa e que nunca (mas, nunca mesmo!) tenham a coragem de voltar pedir votos se dizendo arrependidos. Lembre-se que na política precisamos ser frios e calculistas, não há espaço para perdão.

Que venha o próximo, o próximo e o próximo, até que apareça um que não roube mais.

Agora, eleger um bando de picareta e ficar protestando depois, infelizmente não vai mudar nada. Depois de eleitos, eles não estão nem um pouco preocupados com o que pensamos. Ou alguém aí acha que o Renan Calheiros está incomodado com a petição que está correndo na internet pedindo o impeachment dele?

Até que provem o contrário, ele foi eleito (pelos eleitores de Alagoas) senador da República de forma legítima. E depois foi eleito (pelos outros senadores colegas dele) presidente do Senado de forma igualmente legítima.

Até o momento, tudo previsto em nossa Constituição. É revoltante, mas como argumentar contra isso?

Para piorar essa sensação de inutilidade, aparece o Tiririca dando entrevista dizendo que não nasceu para política e que prefere voltar a ser palhaço.

Voltar a ser palhaço? Será que ele estava se referindo a sua antiga profissão ou apenas quis dizer que deixaria de ser um parlamentar?

O Renan Calheiros é o vilão da história? Óbvio que não. Ele, assim como seu antecessor bigodudo, é só mais um oportunista que conseguiu um emprego onde não vai precisar fazer muita coisa para ganhar muito dinheiro. O sonho de qualquer um, não é mesmo?

Errado nessa história é quem votou, vota e votará nele e em políticos semelhantes a ele.

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  1. Karin Kliem
    13/02/2013 às 16:31

    Oi, Rodolfo,

    Concordo plenamente com você. Na hora de votarmos devemos ser assim como os políticos são depois de eleitos: frios e calculistas. Depois de eleitos, a maioria dos políticos sofre de repente de amnésia, esquecendo o que propagaram durante a campanha eleitoral, não dando mais a menor importância para os pensamentos e expectativas dos eleitores.

    • 18/02/2013 às 11:20

      Infelizmente isso já está virando uma regra em nossa política. Agora, nós precisamos encontrar a cura para essa amnésia que ronda o Congresso.

  2. victor
    16/04/2013 às 20:29

    Muito Bom!!

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