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AMOR E ÓDIO

Amor e ódio são dois sentimentos interessantes, antagônicos e dependentes.

A relação entre amor e ódio é bem mais simples do que desenham por ai. Não se trata de questões complexas como o bem contra o mal, mas de ações e consequências. O ódio é aquilo que sentimos quando falta amor.

Quem pode dizer que odiar é errado? Quem tem coragem de falar para um pai que ele não pode odiar o assassino do filho? Como não odiar o sistema quando nos sentimos impotentes diante de uma injustiça social?

 Quando perguntaram em uma entrevista para Eva Schloss, uma judia sobrevivente do Holocausto, se ela havia perdoado seus torturadores nazistas, a resposta foi curta e direta: “não”.

O repórter ficou espantado, pois esperava uma resposta “politicamente correta”. Na qual, uma judia que viu seus pais serem assassinados daria uma bela lição de vida e um verdadeiro exemplo de compaixão.

Mas, Eva não está interessada em comover ninguém. Sua intenção com o livro “A história de Eva” é mostrar o que ela sofreu nos campos de concentração para que ninguém tenha coragem de fazer algo parecido de novo.

Posso condená-la por não ter perdoado os nazistas? Ela é uma mulher má que merece o nosso repúdio? Ou apenas um ser humano sincero que fala o que está sentindo, independente do que os outros pensam?

Fico com a segunda hipótese, pois também não perdoaria meus algozes. Se não perdoei nem os indivíduos que roubaram meu carro, imagine então passar por todo o horror que aquela mulher passou.

O ódio é um sentimento natural e não vejo como negar isso. Ao invés de negar sua existência, seria melhor que as pessoas aprendessem a conviver com ele e, assim, controlá-lo.

O fato de o ódio existir não implica que seja aceitável alguém entrar em uma escola e metralhar pessoas inocentes. Vivemos em uma sociedade, precisamos conviver com as outras pessoas e, para isso, é necessário controlar os nossos sentimentos.

Quem nunca amou verdadeiramente jamais entenderá o que é o ódio.

Amar é um sentimento maravilhoso, gratificante e que nos proporciona imensa alegria. O ódio é o que sentimos quando, de alguma forma, tiram o amor da gente.

Esse sentimento tão temido pela sociedade não deve ser usado como pretexto para atos violentos, mas sim como um alerta de que coisas ruins acontecem e, por isso, precisamos aproveitar cada minúscula partícula de amor que existe em nosso ser. Amar loucamente cada momento de vida, os menores detalhes, as pessoas do nosso convívio e as situações mais rotineiras que enfrentamos todos os dias.

Hoje em dia Eva Schloss é a imagem de uma senhora com olhar sereno e sorriso bonito. Nada de uma mulher vil e rancorosa. O fato de ela não perdoar os homens que mataram seus familiares não muda quem ela é, uma mulher forte que aprendeu a dar mais valor às coisas que ama.

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