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Archive for agosto \21\UTC 2012

TOCA RAUL!

Há vinte e três anos o país se despedia do cara que já foi a mosca na sopa de muita gente. O ouro de tolo, o maluco beleza, o velho e bom Raulzito, um dos maiores ícones do rock nacional.

O roqueiro que era fã de Luiz Gonzaga, Elvis Presley e cantava com sotaque baiano o tradicional samba carioca, foi encontrado morto em seu apartamento na manhã do dia 21 de agosto de 1989, aos quarenta e quatro anos.

Raul Seixas é uma lenda. Alcançou algo que, talvez, nenhum outro artista nacional chegue perto de ser, um verdadeiro mito. Ou você consegue imaginar uma multidão clamando por músicas do Roberto Carlos em shows de outros artistas? Na verdade, as pessoas passam um ano inteiro sem cantar as canções do rei, lembrando dele apenas quando assistem ao especial de fim de ano na televisão.

É, no mínimo curioso, o comportamento dos fãs que criaram espontaneamente um movimento conhecido como raulseixismo, onde não pedem para ouvir uma música específica, mas qualquer uma de sua discografia.

A expressão “toca Raul” vai muito além de ser apenas um pedido musical. Pode ser considerada como um grito de guerra, um desabafo ou uma tentativa desesperada de que alguém toque uma música boa.

A coisa é tão séria que não duvido que já tenha aparecido um maluco durante a missa, logo após o salmo responsorial, gritando um “toca Raul” para o padre.

O chato é que sempre tem alguém tentando enfraquecer esse comportamento, falando das mensagens subliminares que aparecem quando escutamos as músicas de trás para frente. (Tenho mais medo é de quem fica em casa ouvindo músicas de trás para frente)

Não entendo o motivo de tanta preocupação por parte de algumas pessoas, talvez não fossem tão abitolados se ouvissem as músicas da forma correta…

Goste ou não, você também faz parte do movimento. Pode ser conhecendo alguma música do Raul, ou achando que o país deveria ser alugado, ou até mesmo enxergando a menor ponta de malícia nas palavras “cobra” e “aranha”.

Há mais de duas décadas as composições do Raul Santos Seixas permanecem atuais, são letras que não envelhecem nunca. Esse é o seu diferencial.

Portanto, controle sua maluquez, misture com sua lucidez e seja um sujeito normal, mas um maluco total.

Aproveite intensamente a vida, curta cada instante e lembre-se: o amor é a lei!

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PROPAGANDA É A ALMA DO NEGÓCIO, MAS NÃO DA LEITURA

E não é que estão colocando comerciais de incentivo à leitura na programação da Globo? Muito boa desta iniciativa do Ministério da Cultura, mas ainda é pouco para mudar a realidade do país.

Baseado em minha experiência, defendo que o dia em que o incentivo à leitura deixar de ser apenas uma frase de efeito na televisão e passar a ser algo palpável, será o início da caminhada pelo caminho certo.

Acredito que, em relação a esse tema, pequenas atitudes podem fazer a diferença. Listo a seguir três medidas fundamentais para a formação de um leitor.

1- Deixar de mostrar o livro apenas em um intervalo comercial, mas também como parte do enredo da atração, com personagens que vão à biblioteca, livrarias e aproveitam o conteúdo da leitura para alcançar seus objetivos.

2- O professor perceber que a melhor forma de incentivar a leitura não é colando livros com uma carinha feliz no mural da sala de aula, mas lendo em frente aos seus alunos. O professor precisa ser um leitor.

3- O Governo agir de forma contundente, baixando juros para editoras (afinal, não fizeram algo parecido para as montadoras de carros?) e estimulando o uso das bibliotecas públicas, que andam abandonadas e sucateadas. Investir em bibliotecas é uma medida necessária, afinal pesquisas revelam que grande parte das pessoas que freqüentam esses espaços não está interessada em pegar livros emprestados.

São maneiras que, de certa forma, contradizem aquela ideia de que “o hábito de ler vem de casa” e mostra que a leitura não é algo tão restrito assim. Leia mais

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EU TAMBÉM VOU RECLAMAR

A moda agora é a tal da operação padrão, onde todo mundo reclama muito e produz pouco. Servidores públicos reclamam de seus salários e os trabalhadores comuns reclamam por não serem servidores públicos. Lembrando o verdadeiro baião de Dominguinhos, onde quem está fora quer entrar, mas quem está dentro não sai.

Não sou a favor dos grevistas e nem do governo. Como não tenho sindicato que defenda apenas os meus interesses, eu também vou reclamar.

Vou reclamar do tempo que fico no trânsito por conta dos tantos protestos que são feitos diariamente nas avenidas da capital federal. Ao contrário da maioria daquelas pessoas que estão gritando palavras de ordem e trajando suas roupas vermelhas, meu carro não tem ar condicionado e muito menos câmbio automático. Tenho que enfrentar o calor e fazer o bendito controle de embreagem. É ou não é uma sacanagem?

Também quero reclamar do meu vizinho. Melhor dizendo, do carro do meu vizinho e do “som irado” que ele faz questão de deixar no último volume durante os fins de semana. E o pior, analisando suas músicas percebo que ele não tem a menor vocação para DJ.

E os operadores de telemarketing? Quero me queixar sobre eles, afinal, nem de falar ao telefone eu gosto.

Ah, não posso esquecer de deixar aqui registrada a minha reclamação em relação ao Pacheco, o meu cachorro, que nunca faz suas necessidades fisiológicas no jornal. Na verdade, ele come o jornal. Leia mais

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O LIXO – LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO

Um contista que se preze tem que reverenciar Luis Fernando Veríssimo. Já mencionei em outro post, mas repito: sou fã dos textos dele! Então, sem mais delongas, posto aqui mais um conto desse gênio.

PS. Após ler esse texto, duvido que continue olhando os sacos de lixo do seu vizinho com a mesma indiferença de antes.

***

Encontram-se na área de serviço. Cada um com seu pacote de lixo. É a primeira vez que se falam.

– Bom dia…

– Bom dia.

– A senhora é do 610.

– E o senhor do 612.

– É.

– Eu ainda não lhe conhecia pessoalmente…

– Pois é…

– Desculpe a minha indiscrição, mas tenho visto o seu lixo…

– O meu quê?

– O seu lixo.

– Ah…

– Reparei que nunca é muito. Sua família deve ser pequena…

– Na verdade sou só eu. Leia mais

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