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Ô COISA CHATA…

Ir ao cinema não me dá mais prazer quanto antes. Tudo bem, eu entendo e até sou favorável que mudanças devem ocorrer de geração para geração, mas é que está sendo difícil aceitar alguns novos comportamentos.

Sempre tive o objetivo de não me tornar aquele tiozão chato que fica o tempo todo resmungando durante as reuniões familiares, mas não garanto que conseguirei evitar minha iminente rabugice. Não agüento mais sair de casa para fazer as coisas que sempre me divertiam.

Repito, eu sei que o mundo está mudando e não quero que todo mundo se comporte como se ainda estivéssemos nos anos noventa. O que estou dizendo é que, dessa vez, não estou gostando do resultado e torço para que esse novo comportamento mude rapidamente para um “novo novo comportamento”.

Desde quando eu era mais jovem, meu divertimento sempre foi assistir televisão, ir ao cinema, ler livros emprestados (raramente comprava livros), ouvir rádio e ir a shows de música. O problema é que isso está ficando chato. Não porque deixei de gostar dessas coisas, mas é que elas estão mudando para acompanhar esse tal de novo comportamento.

Hoje em dia preciso ficar um bom tempo em frente ao PC garimpando em todos os sites dos cinema da cidade até encontrar uma sessão legendada do filme que quero assistir. Calma, não sou uma daquelas pessoas que fizeram um cursinho de inglês e se sentem os doutores do idioma, na verdade, quem me conhece sabe o quanto sou péssimo com a língua estrangeira. Mas, o fato é que o filme dublado perde completamente a qualidade do áudio original e, francamente, é perturbador assistir um filme em que o John Travolta tenha a mesma voz que o Burro do Sherek. E frequentemente os cinemas estão optando cada vez mais em exibir apenas filmes dublados.

Resolvido o problema quando encontro uma sessão legendada do filme, correto? Errado. Nesse caso, ao entrar sala me deparo com outro: a falta de educação das pessoas. Não sou da época que havia os famosos lanterninhas dentro dos cinemas, mas acho que eles fazem uma falta danada. Posso afirmar, com toda a certeza, que nos últimos anos, toda vez que fui ao cinema acabei me irritando de alguma forma. Seja com uma mãe desnaturada que leva o filho de sete anos para assistir uma comédia nacional para o moleque ficar repetindo todos os palavrões que ouve e apanhar da mãe que não está conseguindo se concentrar no filme.  A irritação pode surgir também de um cara que fica falando alto como se estivesse se dirigindo aos atores, achando que é super engraçado.

Na minha modesta opinião, quem ri de um cara desses é porque sofre sérios problemas emocionais.

Pessoas sem noção sempre existiram, e sempre existirão em todas as gerações. O problema é que agora elas estão presentes em um número maior. É muito desrespeito com o próximo e, o pior, não há um constrangimento por agir assim, como se isso tudo fosse normal.

Meus outros prazeres também estão sendo afetados por esse novo e irritante comportamento. Quando vou a um show não consigo me concentrar direito, pois as pessoas não param de circular de um canto para o outro. Matematicamente falando, quando se tem uma média de seis pessoas por metro quadrado fica praticamente impossível transitar por esse espaço sem empurrar e pisar nos pés dos outros. Ah que saudade do tempo valia a regra do “cheguei primeiro”. Afinal, não é justo uma pessoa chegar atrasada em um show e querer ficar em frente ao palco, ou pior, ir ao encontro dos seus amigos que chegaram primeiro e estão em algum lugar no meio da multidão. Não se trata apenas de implicância da minha parte, mas a natureza não me ajudou muito me dotando de míseros cento e sessenta e oito centímetros de altura, então qualquer um que passa em minha frente acaba me impedindo de ver o show. Custa ficar parado em um único lugar e prestar atenção na banda?

E sobre pegar livros emprestados? Faz séculos que não leio um livro emprestado… As pessoas não compram mais livros. Mas, esse problema foi fácil de resolver, passei a comprar meus próprios livros. Mas só compro livros em sebos, afinal, o que seria da vida sem seus caprichos? E outra, é deprimente passar em frente a uma livraria e ver na vitrine apenas apostilas para concursos. Poxa, em uma visão piegas da coisa, isso nem livro é! Então não deveria estar em uma livraria, mas em uma daquelas editoras ou papelarias onde meus pais compravam meus livros didáticos.

O fato é que é bem melhor ler um livro emprestado. Não sei explicar o motivo, talvez esse seja o tema para um próximo texto. Afinal, se continuar dessa forma, sem ir a cinemas e shows, vai me sobrar tempo para escrever aqui blog, portanto precisarei de todos os temas possíveis. E quem sabe assim, lendo minhas reclamações, consigo não me transformar naquele tiozão rabugento que sempre evitei.

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  1. Karin Kliem
    19/07/2012 às 13:00

    Quanto aos filmes dublados você tem absolutamente razão. Os filmes perdem não somente a qualidade do áudio original, mas também autenticidade. Desde que vivo na Alemanha perdi um tanto de interesse de ir ao cinema, já que aqui todos os filmes são dublados – já há 26 anos atrás! Para achar uma sessão com um filme no original é raro … e caro! E o comportamento das pessoas no cinema também me irrita muito: elas se comportam como se estivessem em casa na sala de visitas vendo televisão: chips, pipocas e refrigerantes, levantam x-vezes para ir ao WC e tagarelam muitas vezes durante todo o filme. Sessão da tarde aqui nem imaginar!!! Eu até poderia comprar meus filmes em DVD no original, mas uma sala de visitas não tem o mesmo ambiente que uma sala de cinema (… tinha), não é?

  2. 20/07/2012 às 10:39

    Sem dúvida. A atmofesfera do cinema influencia na nossa percepção do filme. Mas, realmente, o comportamento de algumas pessoas acabam com a felicidade de outras.

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