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E AÍ… COMEU?

O objetivo do História da Estória é incentivar a leitura e não falar sobre cinema, televisão, etc. Afinal, existem sites mais qualificados para isso. Porém, como se trata de um filme baseado em uma peça do Marcelo Rubens Paiva, que é um baita de um escritor. Então vou escrever sobre o filme na esperança que leiam os livros dele.

Fui assistir ao “E aí, comeu?” e gostei do que vi, até mesmo por não ter o conhecimento de um crítico de cinema.

Embora as cenas protagonizadas por Bruno Mazzeo, Marcos Palmeira e Emílio Orciollo Netto arrancam empolgadas gargalhadas da plateia, não se trata apenas de uma comédia sem conteúdo. É daquele tipo de filme que te faz pensar: “poxa, pior que é assim mesmo”. Retrata bem a imaturidade, a superficialidade e a sensibilidade do universo masculino, entretanto, não é puramente machista. Pois, apresenta personagens femininos com personalidades fortes que fogem daquele estereótipo de “mulher meiga e delicada” tão comum em filmes de comédia romântica.

“E aí, comeu?” com certeza será criticado pelos intelectuais, e rejeitado pelos politicamente corretos. Se você não pertence a nenhum desses dois grupos, o filme é uma boa pedida para o fim de semana.

Marcelo Rubens Paiva é o tipo de escritor que de tão simples, se torna genial. Criando diálogos pouco elaborados e divertidos, ele consegue, com extrema facilidade, fazer com que o leitor/telespectador se sinta como personagem da trama.

Mas, o mais engraçado do filme é o comportamento das pessoas no cinema. Presenciei uma cena muito divertida, em que uma menina (por volta dos 12 anos de idade) chegou perto de um rapaz que estava na fila para pedir informações:

– Moço, essa fila é para qual filme?

– É para a sala 07. – Respondeu o rapaz que, por alguns instantes, ficou pensando na melhor maneira de falar o nome do filme sem constrangimento.

– Madagascar? – Insistiu a menina que estava perdida.

– Não.

– Então é para qual filme?

– É para o que vai passar na sala 07… O que vai começar às 19:40. – Respondeu o rapaz desconcertado.

A menina consulta o seu ingresso, mas não encontra as informações.

– Onde é que vejo o número da sala nesse trem aqui?

– Aqui, ó. – Apontou o rapaz.

– Onde?! – Se desesperou a pobre menina.

– Pergunta ali para aquela moça, que ela vai te ajudar. – Respondeu o rapaz apontando para uma funcionária do cinema, reconhecendo sua incapacidade de pronunciar “E aí, comeu?” sem parecer atrevido.

Por diversas vezes durante os seus 111 minutos de duração, fiquei uma vontade danada de sair do cinema e ir para um bar ficar sentado em uma mesa conversando com meus amigos. Não aconselho comparar o ingresso esperando assistir algo intelectual, romântico ou que vá enriquecer seu conhecimento. Nada disso, o filme é pura filosofia de boteco. Bem simples e descontraído, é uma boa opção para quem quer rir um pouco e relaxar a mente.

Marcelo Rubens Paiva é o autor de diversos títulos, entre eles, Feliz Ano Velho, Malu de Bicicleta e Blecaute. É do tipo de escritor que um dia eu queria conhecer fora do universo literário, provavelmente em uma mesa de bar, tomando cerveja e conversando sobre futebol.

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  1. 17/07/2012 às 18:39

    Muito bom, gostei da resenha, objetiva e inteligente. Vou assistir.
    Valeu.

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