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FRUSTRAÇÃO DOS NAMORADOS

Chegando ao fim da semana do Dia dos Namorados, vou cumprir o que prometi e postar o conto que foi inspirado na história do leitor Carlos Monteiro. Antes, quero agradecer a todos que enviaram suas histórias por e-mail. Obrigado!

***

Retirou o dinheiro de sua carteira para realizar o pagamento do produto que acabara de adquirir. O sorriso estampado em seu rosto era a prova de que Milena iria gostar do presente.

Ele pegou a sacola das mãos da vendedora, agradeceu cordialmente e partiu em direção ao estacionamento do shopping. Pagou o ticket e foi ao encontro de seu carro.

Dirigia alegremente, acompanhando as músicas que tocavam no rádio. Achou que a trilha sonora estava perfeita para celebrar aquele dia dos namorados. Depois de alguns minutos, com o carro imóvel, começou a se preocupar com a lentidão do trânsito. Não queria que Milena ficasse o esperando por muito tempo.

Milena era sua namorada há seis anos e ele temia que o tempo fizesse com que seu relacionamento caísse na rotina. Combinaram que a buscaria no serviço, para que fossem ao cinema e jantassem juntos. Queria proporcionar para sua namorada uma noite especial, a fim de não dar motivos para ela reclamar de seu companheiro. Ele sabia que as mulheres passam a se queixar de seus parceiros depois de certo tempo de convivência.

Decidiu que com eles não seria dessa forma. Estava disposto a fazer o possível para que seu namoro não fosse mais uma vítima do marasmo.

Estacionou em frente ao prédio onde Milena trabalhava. Estava atrasado. Estranhou o fato de não encontrá-la em pé na calçada impaciente esperando por ele. O que teria acontecido?

Desceu do carro e ligou para o celular de sua namorada. Nada. O aparelho chamava até cair na caixa de mensagens sem que ninguém atendesse a ligação.

Ficou preocupado sem saber como localizá-la, pois o prédio em sua frente já estava fechado com todas as luzes apagadas.

De repente o aparelho celular que segurava em sua mão direita começou a vibrar e a luz que iluminava o visor acendeu repentinamente. Sentiu um alívio ao ver o nome de Milena piscando na tela.

– Oi amor.

– Oi. – Respondeu a voz feminina do outro lado da linha.

– Onde você está?

– Estou dentro do ônibus. Por quê?

– Fala sério Milena. Deixa de brincadeira, ou a gente vai perder o início do filme. Onde você está?

– Filme? Ai meu Deus! – A voz demonstrava a aflição de quem acaba de lembrar algo importante.

– Você esqueceu? – Perguntou o namorado decepcionado.

Ele desligou o telefone antes de ouvir alguma justificativa para o esquecimento de Milena. Não precisava de explicações, pois já sabia o que estava acontecendo. Percebeu que um relacionamento é formado por duas vidas e, se não houver sintonia entre ambas, a rotina será consequência inevitável.

Caminhou cabisbaixo em direção ao seu carro. Sem a colaboração de Milena, toda sua dedicação era vã. Sozinho dentro do carro, estava com vontade de jogar o automóvel para cima dos casais sorridentes que caminhavam pela rua de mãos dadas.

Ele reconheceu sua derrota para o marasmo. Decidiu que, a partir daquele dia, acordaria, trabalharia e dormiria. Nada além ou mais criativo do que isso, seus dias seriam marcados apenas por um xis no calendário. Optou pela indiferença, o caminho mais fácil em qualquer relacionamento.

Não foi ao cinema naquela noite.

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