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Archive for junho \27\UTC 2012

E AÍ… COMEU?

O objetivo do História da Estória é incentivar a leitura e não falar sobre cinema, televisão, etc. Afinal, existem sites mais qualificados para isso. Porém, como se trata de um filme baseado em uma peça do Marcelo Rubens Paiva, que é um baita de um escritor. Então vou escrever sobre o filme na esperança que leiam os livros dele.

Fui assistir ao “E aí, comeu?” e gostei do que vi, até mesmo por não ter o conhecimento de um crítico de cinema.

Embora as cenas protagonizadas por Bruno Mazzeo, Marcos Palmeira e Emílio Orciollo Netto arrancam empolgadas gargalhadas da plateia, não se trata apenas de uma comédia sem conteúdo. É daquele tipo de filme que te faz pensar: “poxa, pior que é assim mesmo”. Retrata bem a imaturidade, a superficialidade e a sensibilidade do universo masculino, entretanto, não é puramente machista. Pois, apresenta personagens femininos com personalidades fortes que fogem daquele estereótipo de “mulher meiga e delicada” tão comum em filmes de comédia romântica.

“E aí, comeu?” com certeza será criticado pelos intelectuais, e rejeitado pelos politicamente corretos. Se você não pertence a nenhum desses dois grupos, o filme é uma boa pedida para o fim de semana.

Marcelo Rubens Paiva é o tipo de escritor que de tão simples, se torna genial. Criando diálogos pouco elaborados e divertidos, ele consegue, com extrema facilidade, fazer com que o leitor/telespectador se sinta como personagem da trama.

Mas, o mais engraçado do filme é o comportamento das pessoas no cinema. Presenciei uma cena muito divertida, em que uma menina (por volta dos 12 anos de idade) chegou perto de um rapaz que estava na fila para pedir informações: Leia mais

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SEXTA MILLÔRIANA – POESIA MATEMÁTICA

Às folhas tantas
do livro matemático
um Quociente apaixonou-se
um dia
doidamente
por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável
e viu-a, do Ápice à Base,
uma figura ímpar:
olhos rombóides, boca trapezóide,
corpo octogonal, seios esferóides.
Fez da sua uma vida
paralela à dela
até que se encontraram
no infinito.
“Quem és tu?”, indagou ele
em ânsia radical.
“Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode me chamar de Hipotenusa.”
E de falarem descobriram que eram
(o que em aritmética corresponde
a almas irmãs)
primos entre si.
E assim se amaram
ao quadrado da velocidade da luz
numa sexta potenciação
traçando
ao sabor do momento
e da paixão
retas, curvas, círculos e linhas sinoidais
nos jardins da quarta dimensão.
Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclidianas
e os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções newtonianas e pitagóricas.
E enfim resolveram se casar,
constituir um lar,
mais que um lar,
um perpendicular. Leia mais

FRUSTRAÇÃO DOS NAMORADOS

Chegando ao fim da semana do Dia dos Namorados, vou cumprir o que prometi e postar o conto que foi inspirado na história do leitor Carlos Monteiro. Antes, quero agradecer a todos que enviaram suas histórias por e-mail. Obrigado!

***

Retirou o dinheiro de sua carteira para realizar o pagamento do produto que acabara de adquirir. O sorriso estampado em seu rosto era a prova de que Milena iria gostar do presente.

Ele pegou a sacola das mãos da vendedora, agradeceu cordialmente e partiu em direção ao estacionamento do shopping. Pagou o ticket e foi ao encontro de seu carro.

Dirigia alegremente, acompanhando as músicas que tocavam no rádio. Achou que a trilha sonora estava perfeita para celebrar aquele dia dos namorados. Depois de alguns minutos, com o carro imóvel, começou a se preocupar com a lentidão do trânsito. Não queria que Milena ficasse o esperando por muito tempo.

Milena era sua namorada há seis anos e ele temia que o tempo fizesse com que seu relacionamento caísse na rotina. Combinaram que a buscaria no serviço, para que fossem ao cinema e jantassem juntos. Queria proporcionar para sua namorada uma noite especial, a fim de não dar motivos para ela reclamar de seu companheiro. Ele sabia que as mulheres passam a se queixar de seus parceiros depois de certo tempo de convivência.

Decidiu que com eles não seria dessa forma. Estava disposto a fazer o possível para que seu namoro não fosse mais uma vítima do marasmo.

Estacionou em frente ao prédio onde Milena trabalhava. Estava atrasado. Estranhou o fato de não encontrá-la em pé na calçada impaciente esperando por ele. O que teria acontecido?

Desceu do carro e ligou para o celular de sua namorada. Nada. O aparelho chamava até cair na caixa de mensagens sem que ninguém atendesse a ligação.

Ficou preocupado sem saber como localizá-la, pois o prédio em sua frente já estava fechado com todas as luzes apagadas. Leia mais

TOP 10 POESIAS PARA O DIA DOS NAMORADOS

Enamorado leitor, chegamos na data do ano mais esperada pelas floriculturas: O Dia dos Namorados! Para celebrar, selecionei poesias de consagrados poetas brasileiros. Espero que goste e que se inspire para comemorar essa data com alguém especial…

***

Bilhete (Mário Quintana)

Se tu me amas, ama-me baixinho

Não o grites de cima dos telhados

Deixa em paz os passarinhos

Deixa em paz a mim!

Se me queres,

enfim,

tem de ser bem devagarinho, Amada,

que a vida é breve, e o amor mais breve ainda…

***

Livros e flores (Machado de Assis) 

Teus olhos são meus livros.

Que livro há aí melhor,

Em que melhor se leia

A página do amor?

Flores me são teus lábios.

Onde há mais bela flor,

Em que melhor se beba

O bálsamo do amor?

***

Meu Destino (Cora Coralina)

Nas palmas de tuas mãos

leio as linhas da minha vida.

Linhas cruzadas, sinuosas,

interferindo no teu destino.

Não te procurei, não me procurastes –

íamos sozinhos por estradas diferentes.

Indiferentes, cruzamos

Passavas com o fardo da vida…

Corri ao teu encontro.

Sorri. Falamos.

Esse dia foi marcado

com a pedra branca

da cabeça de um peixe.

E, desde então, caminhamos

juntos pela vida…

*** Leia mais

PRESENTE DO DIA DOS NAMORADOS

Conversando com o leitor Jorge Campos, foi me sugerido para “aproveitar a semana dos namorados para contar histórias de namorados” aqui no blog. E, pensando bem, até que é uma ideia legal.

Então, vamos lá. A partir de hoje, você poderá enviar um e-mail para o historiadaestoria@gmail.com, relatando como foi o seu dia dos namorados inesquecível. Não precisa, necessariamente, ter um final feliz. Contanto que seja uma história que renda um bom conto, está valendo. Não esqueça de mencionar os detalhes, como por exemplo, características do local, cidade, clima, ano e etc.

Se o seu e-mail for escolhido, terá o prazer (ou não) de ver sua história publicada em forma de conto aqui no blog. Prometo que até o fim dessa semana seu texto estará por aqui.

Detalhe Importante: Seus dados pessoais não serão mencionados no texto.

 

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AMANHÃ É O DIA DOS NAMORADOS

Ah o amor! Estamos entrando naquela que, provavelmente, será a semana mais romântica do ano. Floriculturas cheias, lojas enfeitadas com corações e o e-mail com a caixa de entrada lotada com mensagens cafonas românticas feitas no PowerPoint. Muitos casais estão pensando na melhor maneira de presentear a pessoa amada

Amanhã é o Dia dos Namorados e se você estiver namorando, é bem provável que já tenha gastado algumas dezenas de reais para comprar um presente bacana para seu par. Agora, caso esteja solteiro, é quase certo que aproveitará (se é que já não aproveitou) esta data para passar uma cantada em alguém.

Bateu aquela dúvida sobre o que escrever no cartão que acompanha o presente? Querendo impressionar alguém para, quem sabe, finalmente “desencalhar” ? Vive paquerando uma pessoa, mas sua timidez não te deixa fazer a sonhada declaração? Pois é, para estes e muitos outros casos, nada melhor do que uma bela poesia escrita em uma folha de papel.

Pensando nisso, o História da Estória montou uma coleção de poemas relacionados ao tema, que deixará seu doze de junho mais romântico, seja lá qual for sua situação. Então, amanhã não perca um post especial, com consagrados poetas brasileiros, para o Dia dos Namorados.

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AGORA INÊS É MORTA. MAS, E DEPOIS?

A expressão que faz referência aos amantes D.Pedro e Inês de Castro, nasceu em meados do século XIV em Portugal e foi consagrada por Camõesem Os Lusíadas. Ahistória conta que a corte lusitana em uma tentativa de defender seu reino, aproveitando a ausência de seu príncipe, mandou que executassem a bela Inês. Ao retornar de sua viagem D.Pedro fica sabendo sobre o assassinato da mãe de três dos seus filhos e resolve tomar o reino de Portugal à força, derrubando seu pai D.Afonso IV. Ao se tornar rei, D. Pedro proclama Inês de Castro, depois de morta, rainha de Portugal.

O que vale um título após a morte? Inês não reinou em Portugal e, pior ainda, não acompanhou o desenvolvimento de seus filhos. Refém de cruéis estratégias políticas, ela foi privada de sua própria vida.

Aqui no Brasil, algumas pessoas, mesmo não sabendo da história, usam essa expressão quando se referem a algo irremediável. Confesso que sempre ouvia minha mãe falando que a tal Inês estava morta, mas, achando que era “coisa de velho”, não me interessava em saber do que se tratava.

Recentemente comecei a ouvir mais gente repetindo esse provérbio português e passei a me questionar se o país realmente está se prevenindo contra os escândalos que são noticiados diariamente pela imprensa. Acho que não.

Quando descobriram “cachoeira goiana” regada de dinheiro público, Inês já estava morta. Afinal, mesmo com a condenação dos responsáveis, acho improvável que os milhões de reais desviados sejam ressarcidos integralmente aos cofres públicos.

E se Inês ainda não estivesse morta, mas precisasse de uma UTI em um hospital público para sobreviver, provavelmente morreria esperando. Pois, a saúde sendo lembrada apenas nas campanhas eleitorais, vai ficando cada dia mais sucateada, não podendo ajudar quem depende dela.

Aqui no Brasil, parece que Inês sempre esteve morta. Mas, nem tudo são lágrimas. Afinal, quando lemos nos jornais as tantas notícias sobre corrupção, significa que estamos encontrando pistas que nos levarão ao corpo da rainha morta. E, como em qualquer série policial, esse é o primeiro passo para a solução do crime.

Descobrir escândalos políticos é algo revoltante, que gera muita indignação na população. E esse sentimento é essencial para que a juventude de hoje não eleja os mesmos políticos amanhã. Para que essa jovem e bela lusitana não torne a ser assassinada, dia após dia, é fundamental formar cidadãos com consciência política. Sendo assim, talvez o país, ao invés de descobrir os casos de corrupção, passe a prevenir esse tipo de crime.

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