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CONVERSANDO COM OSWALDO MONTENEGRO

Caros leitores, meu objetivo com o História da Estória, além de publicar meus textos, é de incentivar a leitura mostrando o “pré texto”. Relatando aquilo que passa na cabeça do autor antes de escrever alguma coisa. E é com imensa satisfação que apresento esse “outro lado” de um dos maiores compositores do Brasil: Oswaldo Montenegro.

Chegue mais e venha participar também dessa conversa:

História da Estória – No DVD “A partir de Agora” você disse ao colocar “Quando a gente ama” na trilha sonora de uma novela, que se preocupou em pensar como seria a reação das pessoas com a música. Essa preocupação é comum na hora de compor?

Oswaldo Montenegro – Na hora que componho, não penso em nada. Ainda é pra mim um ato instintivo que pode receber capricho ou até veto posterior. Mas tem que surgir espontâneo, parto normal, sem cesariana.

HE – Você é autor de diversas peças musicais, todas com grande sucesso de público. Compositor de músicas marcantes, com letras que sempre tocam os seus fãs. Como se dá o seu processo de criação? Você faz muitos rascunhos? Lê e relê, em média, quantas vezes antes de considerar que uma letra está pronta?

OM – Tenho mais trabalho e mais cuidado na hora de gravar. Tornei-me mais exigente comigo mesmo na questão dos arranjos e do som que busco. Como se a criança nascesse de forma espontânea e depois eu a vestisse com cuidado.

HE – Em 1994 você lançou o livro infantil “O vale encantado”. Atualmente algumas pessoas estão deixando o livro impresso de lado para acompanharem o dinamismo da internet, inclusive as crianças. O que você acha sobre isso? Acredita que esse comportamento interfere na qualidade dos novos leitores e escritores?

OM – Acho o novo tempo fascinante. Em relação à educação infantil, precisamos ter um certo cuidado pra não impedir que a criança imagine. Quando ela lê, ela é obrigada a criar o seu próprio filme na cabeça. Com o audiovisual muito acessível, corremos o risco de inibir a imaginação delas.

HE – Ainda sobre livros, o público pode esperar novos livros do Oswaldo Montenegro?

OM – Não sei. De mim só podem esperar, com certeza, música. Teatro, cinema e literatura acontecerão de vez em quando, sem que eu possa prever ou garantir. Apesar de lidar com muitas artes, o que sou mesmo, é um músico.

HE – São mais de 40 anos de carreira e agora você aparece com o “De passagem”, um CD só com músicas inéditas. Qual é a fonte de tanta inspiração?

OM – A paixão pelo que eu faço. Gosto de acordar e ter que mexer com arte. Odeio férias. Conheço a alegria, sou grato por ela, mas da tal da paz, só ouvi falar.

HE – Dos seus últimos discos, seria o “De passagem” o seu trabalho mais intimista? Uma espécie de auto-avaliação?

OM – Talvez. Acho que não. O álbum “Canções de Amor” é mais íntimo ainda.

HE – Não me considero um escritor, apenas uma pessoa que gosta de escrever. Talvez por isso, a maior dificuldade que sinto quando estou criando meus textos é de encontrar um título. Já vi alguns escritores falarem que primeiro pensam no título e começam a desenvolver a ideia a partir dele. Oswaldo Montenegro também passa por alguma paranóia desse tipo na hora de escrever?

OM – Acho o título difícil também. Título é síntese e síntese não é fácil, não.

HE – Sempre que possível, tento colocar Brasília como cenário em meus textos. Você sempre escreveu boas músicas sobre essa cidade. Mas, atualmente, Brasília ainda te inspira? Por quê?

OM – Sim. Ainda é uma cidade diferente de tudo. Ainda é o lugar onde moram grandes amigos e onde, por incrível que pareça, eu sinto ser a minha casa.

HE – O premiado filme Léo e Bia foi consagrado pelos críticos. Conheço pessoas que jamais viram uma peça teatral, e quando assistiram ao filme ficaram encantadas. Existe a possibilidade de algum outro musical ir para as telonas? Confesso minha torcida para que “Tipos” entre na lista, afinal, o Chato e a Bailarina Gorda seriam personagens incríveis, não acha?

OM – Pode ser que eu venha a filmar de novo. Não tenho planos. Mas gostei da sua sugestão.

HE – Oswaldo, um dos objetivos do História da Estória é incentivar a leitura, por favor, indique um livro que você leu e acredita que seria interessante para os leitores do blog.

OM – Acho que as pessoas devem ler, urgente, os livros de frases de Millôr Fernandes. A inteligência mais aguda que o Brasil já teve.

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  1. luna oliveira
    12/04/2012 às 18:23

    ADOREI, gosto muito do
    Oswaldo Montenegro.

  2. paulo rubens gimenes
    12/04/2012 às 18:57

    SEM SACIONAL*, SEM COMENTÁRIOS….
    *-licença poética rsrsrs

  3. Cléa
    12/04/2012 às 20:01

    Ameiiiiiiiiii,mas confesso que sou suspeita pra falar rsrsrsrrs,amo incondicionalmente o Oswaldo e sua arte!!!

  4. M. APARECIDA LOPES VITAL
    12/04/2012 às 20:11

    GOSTE MUITO! CONHECO A ALEGRIA, MAS A PAZ…. (ESTA FRASE MARCOU, QDO ESCUTO AS PESSOAS Q SENTEM, ACHO Q NÃO SOU DESSE MUNDINHO! OBGADA

  5. EDINEIDE COSTA ZENI
    12/04/2012 às 21:18

    SIM ,É VERDADE TEMOS QUE INCENTIVAR A LEITURA ,PORQUE ATRAVÉS DA LEITURA ,QUE VAMOS ,ADQUIRIR CONHECIMENTO ,HOJE ,VIVEMOS TRABALHANDO ,E O TEMPO ,QUE RESTA É CURTO DEMAIS ,NÃO TEMOS TEMPO DE SAIR MUITO FREQUENTAR LUGARES DIFERENTES , E ATRAVÉS DA LEITURA ,É QUE NÃO VIVEMOS NA IGNORÂNCIA DO NÃO SABER RS RS

  6. Maria Rosangela Soratto
    17/04/2012 às 21:10

    Acho o Osvaldo Montenegro um cantor..compositor completo….suas musicas são de uma pluralidade e de uma simplicidade que quando escuto eu viajo na letra..como se estivesse lendo um livro… Parabéns por ser um artista transparente…bjs

  7. Karin Kliem
    24/04/2012 às 14:41

    Leitura é viagem para um outro mundo! Só posso apoiar esta idéia. Sou fã de Oswaldo Montenegro desde o início. Ouvindo suas músicas mergulho num mundo maravilhoso. Muitas vezes não quero mais voltar à tona … Obrigada!

    • 24/04/2012 às 15:45

      “Leitura é viagem para um outro mundo!” Karin, essa frase resume bem a minha intenção com esse blog. Obrigado!

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