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Archive for abril \27\UTC 2012

PROFESSORES: CLASSE INTELECTUAL DO PAÍS?

Onde anda a criatividade de alguns professores? Sério, fico impressionado com a quantidade de bizarrices que já presenciei dentro da sala dos professores. O recinto que mais respeitava quando ainda era um aluno acadêmico, hoje não passa de um lugar onde se bebe café e se encontra revista da Avon.  Se procurar por um jornal impresso em sala dos professores, provavelmente não encontrará.

Consulte o Histórico de Navegação do computador (se é que a escola disponibilize um para os professores) quais são os sites mais visitados e me diga se é tão diferente do comportamento virtual apresentado por um adolescente de dezesseis anos? Faça uma pesquisa entre os educadores de uma escola sobre quantos livros leram durante todo o ano passado. Depois, realize novamente a pesquisa retirando as opções “livros didáticos” e “apostilas para concurso público” e compare os resultados. Provavelmente entenderá um pouco da minha preocupação.

Não precisa entrar em uma escola para entender o que estou falando, basta observar como alguns assuntos ainda são trabalhados em sala de aula por certos professores.  É evidente que o comportamento humano mudou radicalmente nessa última década, entretanto parece que a forma de ensinar continua a mesma do século passado.

Ou vai me dizer que antigamente o Dia do Índio também não era lembrado com uma pintura de um cocar desenhado em uma folha papel A4, acompanhada por um dever de casa pedindo para pesquisar sobre hábitos e costumes indígenas? O que muda é que hoje as atividades não tem cheiro de álcool.

E no Dia do Livro, também se “confeccionava” um Marca Página no formato de um lápis com uma carinha sorridente? Já tentou imaginar quantas bandeirinhas do Brasil são coloridas no dia 06 de setembro?

As atividades continuam as mesmas enquanto os interesses são outros. Acontece que tem muito professor que sabe tudo sobre Piaget, Vygotsky e Wallon, porém desconhece o motivo do Bruno Miguel viver puxando o cabelo da Jéssyca Letícia durante sua aula…

Em contrapartida existem aqueles que honram a profissão e sentem uma verdadeira paixão pela docência. Professores que levam a turma para plantar uma árvore no dia 21 de setembro, que usam a internet como ferramenta de ensino e que incentivam a ida de seus alunos à biblioteca durante o ano inteiro e não apenas no Dia do Livro.

O fato é que esses profissionais estão ficando desmotivados, pois além de não conseguirem o reconhecimento salarial que desejam, ainda são enquadrados na mesma classe daqueles que se consideram professores simplesmente por terem acesso aos almejados Livros com Resposta.

Mais importante do que valorizar a profissão, é reconhecer o esforço dos profissionais dedicados e distingui-los dos demais.

Professores bons sabem que não se desperta o hábito da leitura em seus alunos apenas colando “desenhos bonitinhos” em um mural, mas que precisam ler para servirem de referência.

Se os professores não se assumirem a Classe Intelectual do país, a categoria jamais será valorizada. E os bons profissionais continuarão sendo ofuscados pela superficialidade vinda dos pseudo educadores.

DIA MUNDIAL DO LIVRO (23/04)

Hoje é o Dia Mundial do Livro o que, provavelmente, não mudará em nada a vida de boa parte da população brasileira. Muitas pessoas ainda batem na tecla que a leitura é um hábito restrito às elites, pois os preços dos livros ainda são muito elevados. Será?
Semana passada estive em um evento literário e encontrei um exemplar de Síndrome de Pinóquio em de uma pilha de livros novos sendo vendidos por dez reais. Fora os vários lançamentos que custavam, em média, trinta reais. Fazendo uma pesquisa rápida em um site de “baladas” daqui de Brasília descobri que o ingresso para entrar em uma festa com som automotivo custa vinte reais. Para assistir a uma apresentação de uma dupla sertaneja desconhecida nacionalmente, a pessoa gastaria trinta reais. E um show de uma banda de axé famosa (só agora entrou na lista um artista renomado) custa setenta reais o lugar mais distante do palco.
Pensando sobre o assunto, fiquei com algumas perguntas sem respostas: Se o livro fosse de graça, as pessoas leriam mais? Sendo assim, por que baixar obras em PDF não é tão popular quanto fazer downloads de músicas e filmes? Será que os jovens de hoje em dia sabem da existência dos sebos? Quem paga couvert artístico toda semana para dezenas de artistas desconhecidos, não poderia comprar pelo menos um livro por bimestre?
O fato é que a maioria dos brasileiros não gosta de ler e quando questionados sobre o assunto, preferem arranjar desculpas pseudo-intelectuais a assumir sua preguiça e acomodação por encontrar em outros meios de comunicação a informação já processada.
Portanto, queridos leitores desse humilde blog, a leitura é acessível sim. Divulguem essa ideia, presenteiem seus colegas com livros e façam com que o Dia da Leitura seja celebrado trezentas e sessenta e cinco vezes no ano.

A ESPADA – LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO

Luís Fernando Veríssimo é um escritor com um ótimo senso de humor. Acho que escrever algo engraçado é mais difícil do que qualquer outro gênero, pois imaginar o que provocará o riso em alguém é algo extremamente complicado. Principalmente nos dias atuais, onde uma linha tênue separa o que é piada do que é agressão… Mas, com o tato que o Veríssimo tem para escrever, não consigo imaginar alguém criticando seus textos. Portanto, sorriam mais um pouco seguindo a Dica de Leitura da Semana: Comédias para se Ler na Escola (preciso dizer quem é o autor?). Aí vai um pequeno aperitivo do livro.

A espada

Uma família de classe média alta. Pai, mulher, um filho de sete anos. É a noite do dia em que o filho fez sete anos. A mãe recolhe os detritos da festa. O pai ajuda o filho a guardar os presentes que ganhou dos amigos.

Nota que o filho está quieto e sério, mas pensa: “É o cansaço.” Afinal ele passou o dia correndo de um lado para o outro, comendo cachorro-quente e sorvete, brincando com os convidados por dentro e por fora da casa. Tem que estar cansado.

– Quanto presente, hein, filho?

– É.

– E esta espada. Mas que beleza. Esta eu não tinha visto.

– Pai…

– E como pesa! Parece uma espada de verdade. É de metal mesmo. Quem foi que deu?

– Era sobre isso que eu queria falar com você.

O pai estranha a seriedade do filho. Nunca o viu assim. Nunca viu nenhum garoto de sete anos sério assim. Solene assim. Coisa estranha… O filho tira a espada da mão do pai. Diz:

– Pai, eu sou Thunder Boy.

– Thunder Boy?

– Garoto Trovão.

– Muito bem, meu filho. Agora vamos pra cama.

– Espere. Esta espada. Estava escrito. Eu a receberia quando fizesse sete anos.

O pai se controla para não rir. Pelo menos a leitura de história em quadrinhos está ajudando a gramática do guri. “Eu a receberia…” O guri continua. 
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CONVERSANDO COM OSWALDO MONTENEGRO

Caros leitores, meu objetivo com o História da Estória, além de publicar meus textos, é de incentivar a leitura mostrando o “pré texto”. Relatando aquilo que passa na cabeça do autor antes de escrever alguma coisa. E é com imensa satisfação que apresento esse “outro lado” de um dos maiores compositores do Brasil: Oswaldo Montenegro.

Chegue mais e venha participar também dessa conversa:

História da Estória – No DVD “A partir de Agora” você disse ao colocar “Quando a gente ama” na trilha sonora de uma novela, que se preocupou em pensar como seria a reação das pessoas com a música. Essa preocupação é comum na hora de compor?

Oswaldo Montenegro – Na hora que componho, não penso em nada. Ainda é pra mim um ato instintivo que pode receber capricho ou até veto posterior. Mas tem que surgir espontâneo, parto normal, sem cesariana.

HE – Você é autor de diversas peças musicais, todas com grande sucesso de público. Compositor de músicas marcantes, com letras que sempre tocam os seus fãs. Como se dá o seu processo de criação? Você faz muitos rascunhos? Lê e relê, em média, quantas vezes antes de considerar que uma letra está pronta?

OM – Tenho mais trabalho e mais cuidado na hora de gravar. Tornei-me mais exigente comigo mesmo na questão dos arranjos e do som que busco. Como se a criança nascesse de forma espontânea e depois eu a vestisse com cuidado.

HE – Em 1994 você lançou o livro infantil “O vale encantado”. Atualmente algumas pessoas estão deixando o livro impresso de lado para acompanharem o dinamismo da internet, inclusive as crianças. O que você acha sobre isso? Acredita que esse comportamento interfere na qualidade dos novos leitores e escritores?

OM – Acho o novo tempo fascinante. Em relação à educação infantil, precisamos ter um certo cuidado pra não impedir que a criança imagine. Quando ela lê, ela é obrigada a criar o seu próprio filme na cabeça. Com o audiovisual muito acessível, corremos o risco de inibir a imaginação delas.

HE – Ainda sobre livros, o público pode esperar novos livros do Oswaldo Montenegro?

OM – Não sei. De mim só podem esperar, com certeza, música. Teatro, cinema e literatura acontecerão de vez em quando, sem que eu possa prever ou garantir. Apesar de lidar com muitas artes, o que sou mesmo, é um músico.

HE – São mais de 40 anos de carreira e agora você aparece com o “De passagem”, um CD só com músicas inéditas. Qual é a fonte de tanta inspiração?

OM – A paixão pelo que eu faço. Gosto de acordar e ter que mexer com arte. Odeio férias. Conheço a alegria, sou grato por ela, mas da tal da paz, só ouvi falar.

HE – Dos seus últimos discos, seria o “De passagem” o seu trabalho mais intimista? Uma espécie de auto-avaliação?

OM – Talvez. Acho que não. O álbum “Canções de Amor” é mais íntimo ainda.

HE – Não me considero um escritor, apenas uma pessoa que gosta de escrever. Talvez por isso, a maior dificuldade que sinto quando estou criando meus textos é de encontrar um título. Já vi alguns escritores falarem que primeiro pensam no título e começam a desenvolver a ideia a partir dele. Oswaldo Montenegro também passa por alguma paranóia desse tipo na hora de escrever?

OM – Acho o título difícil também. Título é síntese e síntese não é fácil, não.

HE – Sempre que possível, tento colocar Brasília como cenário em meus textos. Você sempre escreveu boas músicas sobre essa cidade. Mas, atualmente, Brasília ainda te inspira? Por quê?

OM – Sim. Ainda é uma cidade diferente de tudo. Ainda é o lugar onde moram grandes amigos e onde, por incrível que pareça, eu sinto ser a minha casa.

HE – O premiado filme Léo e Bia foi consagrado pelos críticos. Conheço pessoas que jamais viram uma peça teatral, e quando assistiram ao filme ficaram encantadas. Existe a possibilidade de algum outro musical ir para as telonas? Confesso minha torcida para que “Tipos” entre na lista, afinal, o Chato e a Bailarina Gorda seriam personagens incríveis, não acha?

OM – Pode ser que eu venha a filmar de novo. Não tenho planos. Mas gostei da sua sugestão.

HE – Oswaldo, um dos objetivos do História da Estória é incentivar a leitura, por favor, indique um livro que você leu e acredita que seria interessante para os leitores do blog.

OM – Acho que as pessoas devem ler, urgente, os livros de frases de Millôr Fernandes. A inteligência mais aguda que o Brasil já teve.

E DA LEITURA, ALGUÉM SE LEMBRA?

Uma recente pesquisa realizada pelo Ministério da Cultura apontou que apenas metade da população tem o hábito de ler, apresentando uma média de quatro livros por ano.

Será que a leitura perdeu a sua importância social? Acredito que não. Quando uma criança deixa de ler um livro ela está abrindo mão de sua imaginação. A internet, sem dúvida nenhuma, é um grande avanço que representa uma revolução do comportamento humano. Entretanto, pode acabar com a criatividade infantil.

Atualmente, boa parte dos jovens usa o mesmo corte de cabelo, gosta dos mesmos cantores, veste as mesmas roupas e considera que o c.d.f. da turma é aquele que assiste a Discovery Channel. Onde está a diversidade? Não existe mais a carteirinha da biblioteca? A impressão que tenho é a de que o comportamento humano foi padronizado.

Algumas pessoas, equivocadamente, responsabilizam o excesso de informação pela baixa média de leitura. Ora, informação nunca é demais, aparentemente o erro é o de não haver uma orientação adequada para os jovens usarem a internet da forma mais eficiente possível. Já pensou no barato que vai ser quando esta juventude informatizada descobrir que sua influência na política vai bem mais além do que protestar criando uma hashtag no twitter?

Desenvolver um hábito de leitura nas escolas, além de formar cidadãos críticos, melhoraria o desempenho dos alunos em todas as disciplinas, inclusiveem Matemática. Nuncanotou que a maior dificuldade não é em realizar as quatro operações básicas, mas em entender o que representa cada uma delas? Ou vai dizer que você ainda não ouviu alguém falando que achava o “arme e efetue” bem mais fácil que os “probleminhas”?

É fato que as maiores dificuldades das pessoas estão relacionadas com interpretação de texto. Não sou contra os BBB´s e nem os UFC´s da vida, mas me pergunto se não haveria um pequeno espaço na programação para incentivar a cultura? Seria interessante que deixassem bem claro que programas desse tipo não passam de entretenimento.

Os canais de televisão vivem mostrando mulheres com corpos esculturais, homens com músculos bem definidos, mulheres fúteis gastando dinheiro displicentemente, famílias expondo suas mazelas para o público, e se esquecem do cérebro.

Esta massa cinzenta que fica dentro do crânio de cada pessoa não é um músculo, porém precisa ser igualmente exercitada. Se você assistir um filme bom, leia o livro que o inspirou. Se achar um assunto interessante, não se contente apenas com as informações do Wikipédia sobre ele, procure livros que abordam o tema e aprofunde seu conhecimento. Se você gosta de carros, faça assinatura de uma revista sobre automobilismo. E se não tem interesse por nada disso, leia a fofoca sobre algum artista na Contigo ou o resumo da sua novela preferida no jornal, mas não deixe de ler.

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PRESENTE DE PÁSCOA

Estive um pouco ausente nesses últimos dias e peço desculpas para todos os meus cinco leitores. Mas, tenho notícias boas para vocês…

Estava procurando algumas novidades para postar aqui no blog e consegui coisas bem legais. Uma delas é mostrar como alguns consagrados escritores/compositores encontram suas inspirações. Ao contrário do que muita gente imagina, eu comecei a escrever inspirado em letras de músicas que sempre ouvi. Adoro música e por isso sempre aparecerão referências por aqui de alguns compositores que, na minha opinião, não deixam de ser grandes escritores.

Para começar, nos próximos dias vocês conhecerão um pouco mais de Oswaldo Montenegro, o menestrel do cerrado. O artista com mais de 40 anos de carreira, compositor de vários sucessos como Metade, A lista, Lua e Flor, Bandolins e etc, topou contribuir com o História da Estória e concedeu para o blog uma entrevista exclusiva super interessante.

Se você conhece o trabalho desse músico não pode deixar de ler. E se você (que chegou agora da Lua) ainda não conhece o trabalho desse cara, leia a entrevista e descubra um pouco do que pensa um dos mais talentosos compositores brasileiros.

Então fica combinado assim, para não se preocupar com a quantidade de chocolates que comeu no domingo, entre aqui no H.E. e tenha uma boa segunda-feira lendo a minha entrevista com o Oswaldo Montenegro.

Ah… E divulgue para os seus amigos. Uma feliz Páscoa para todos e, para quem está de regime, aceito doações de chocolate.  =)