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CARNAVAL, CARNAVAL…

Eu gosto de Carnaval. Afinal, são poucas vezes no ano que posso ficar quatro dias seguidos em casa e colocar em dia minha vida social.

Entretanto, não gosto dos velhos conceitos que são empurrados goela abaixo por grande parte da sociedade e da triste realidade do país de considerar como “ano útil” apenas o período pós-Carnaval.

Quem falou que a pessoa que passou esses quatro dias em um retiro espiritual não curtiu? Ou que quem colocou sua leitura em dia, diminuindo aquela pilha de livros que estavam à espera de um tempinho livre, não aproveitou? Acredito que não existe uma forma correta para se comemorar, e induzir alguém a se comportar conforme a maioria é um erro.

Acontece que algumas pessoas são extremamente carentes e tem a necessidade de mostrar que são divertidas. Sonham com o dia em que serão tão populares quanto o protagonista de uma comédia romântica norte-americana.

Sabe aquele tipo de gente que te convida para uma festa dizendo que vai ser super legal porque fulano de tal estará lá, ou seja, insinuando que sua companhia não será o suficiente para animar a festa? É o tipo que vive na balada, mas sofre de depressão. Comemora por estar solteiro, mas vive tentando se reatar com a antiga namorada.

Então, são pessoas assim que disseminam um conceito errado para este período do ano e estragam o meu Carnaval, transformando o trânsito em um campo de guerra e os muros em banheiros públicos. Acham que o Carnaval está completamente ligado a bebedeira, samba e DSTs e esquecem que existem, em todo esse planeta azul cheio de água, inúmeras outras formas de diversão.

Por acaso você conhece alguém que tem um vocabulário formado por gírias, que se veste com abadás e que mesmo durante a noite usa uns óculos com armação colorida como tiara de cabelo? Pois é, já parou para pensar que essa pessoa pode ter passado boa parte do feriado inconsciente sob efeito de bebidas alcoólicas, sem ficar com ninguém e postando periodicamente em sua página do facebook suas incríveis aventuras carnavalescas?

Qual a diferença entre este ser excepcional e quem ficou em casa navegando na internet aproveitando ao máximo o serviço delivery dos restaurantes? Será que ele aproveitou o Carnaval mais do que aquele rapaz magricela e tímido que decidiu ficar assistindo televisão ao lado de sua namoradinha em um quarto rústico de um hotel fazenda por aí?

Enfim, Carnaval é apenas um feriado. Um dia no qual você não terá que cumprir horário no serviço e está livre para fazer o que bem entender.

E não. Mesmo que alguém tenha afirmado categoricamente, se você não gosta de axé, seguir o trio elétrico do Chiclete com Banana não será a melhor coisa da sua vida.

E se você, caro leitor, está com a tendinite atacada e calos nos dedos por ter passado boa parte desse feriado jogando PES 12 até provar entre seus amigos quem é o melhor, parabéns! Você aproveitou bem sua folga.

Por fim, torno a afirmar que realmente gosto de Carnaval. Só não gosto mesmo é das pessoas que gostam de Carnaval, elas acabam com minha tranquilidade.

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